O resultado do laudo de sanidade mental do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que Elisabete Cordeiro dos Santos, que confessou ter atirado sua filha recém-nascida no ribeirão Arrudas, em Contagem (MG), apresenta "normalidade psíquica", informou hoje a Polícia Civil de Minas Gerais. Conforme o laudo, Elisabete, que está presa, não apresenta "qualquer quadro de doença ou perturbação mental e que era capaz de entender o caráter criminoso de seu ato, bem como de determinar-se de acordo com esse entendimento".
Segundo a polícia mineira, durante o exame, Elisabete não apresentou qualquer "lacuna amnésica". O documento relata também que ela não demonstrou emoção ou chorou quando disse que achava que o bebê estava morto. Simplesmente enrolou a criança em panos e atirou nas águas poluídas do ribeirão. "No exame de sanidade mental, mudou a versão de que teria jogado a recém-nascida pela janela, admitindo que saiu de casa e a jogou no Rio Arrudas pelo lado do tanque".
O delegado Anderson Pires Bahia entregará amanhã à Justiça de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, o inquérito policial que investigou o abandono da menina recém-nascida, resgatada do Arrudas no último dia 30 por populares. A criança, morreu depois de permanecer cinco dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Maternidade Municipal de Contagem.
Os laudos do IML serão anexados ao inquérito. O resultado do exame de sanidade mental enfraquece a tese de infanticídio e o mais provável é que Elisabete seja indiciada por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Mas há a possibilidade de que a qualificação seja por crime culposo (quando não há intenção de matar).