Brasília – A Justiça Federal em Brasília negou anteontem pedido do Ministério Público Federal e da Polícia Federal para que 11 pessoas acusadas de envolvimento em fraudes em licitações para compras do Ministério da Saúde continuassem presas. Entre os liberados está o ex-coordenador-geral de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde Luiz Cláudio Gomes da Silva, nomeado pelo ministro Humberto Costa em agosto de 2003 e exonerado na semana passada.

Os empresários, lobistas e servidores foram soltos ainda na madrugada de ontem. Três deles estavam em São Paulo e um no Rio. O restante ficou preso por dez dias na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Dos 17 mandados de prisão cumpridos pela PF no dia 19, só três envolvidos continuam presos porque o prazo da prisão temporária não terminou. São os empresários que se entregaram após o início da Operação Vampiro: Jaisler Jabour de Alvarenga e Lourenço Rommel Peixoto (que se apresentaram no domingo) e Marcos Chain (que se apresentou na quarta).

Outros três presos já tinham sido liberados logo após prestarem depoimento porque colaboraram com a polícia. A Justiça já havia prorrogado no início da semana por mais cinco dias a prisão temporária dos 11 acusados liberados anteontem. Agora, o Ministério Público Federal havia solicitado a conversão da prisão temporária em preventiva com o objetivo de manter os acusados presos por mais 30 dias. Mas o juiz Cloves Barbosa de Siqueira entendeu que os acusados não poderiam praticar novos delitos porque o ministério já afastou os servidores envolvidos.

Também foram liberados pela decisão da Justiça Federal: Eduardo Passos Pedrosa, Romeu de Amorim, Mário Machado da Silva, André Ferreira Murgel, Armando Garcia Coelho, Manoel Pereira Braga Neto, Marcelo Pupkin Pitta, Elias Espiridião Abboadalla, Laerte de Arruda Corrêa Júnior e Francisco Danúbio Honorato.

Responsável pela soltura, de 11 dos 14 investigados pela Operação Vampiro, o juiz Cloves Barbosa Siqueira, da 10.ª Vara Federal de Brasília, deixou claro que poderá rever sua decisão caso surjam fatos que justifiquem uma nova prisão do grupo suspeito de cometer irregularidades na compra de hemoderivados. Até o início da tarde de ontem, três investigados continuavam presos: os empresários Lourenço Rommel Peixoto, Jailes Jabour e Marco Chain, que se entregaram dias depois da prisão do restante do grupo. Como estão em prisão temporária, como os 11 já liberados, eles também poderão ser soltos nas próximas horas.