Brasília – A Justiça Federal em São Paulo deu prazo de três dias para a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) dar informações sobre o pedido de fechamento do Aeroporto de Congonhas, que está localizado na zona sul de São Paulo, entre prédios residenciais, e teria poucas condições de segurança para vôos de grande porte. A estatal, vinculada ao Ministério da Defesa, administra 67 aeroportos do país.

A notificação do juiz Clécio Braschi, da 8ª Vara Federal de São Paulo, foi entregue nesta segunda-feira (23) ao presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. Na semana passada, o Ministério Público Federal em São Paulo entrou com uma ação civil contra a Infraero e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pedindo o fechamento imediato do Aeroporto de Congonhas.

A ação foi formalizada um dia depois do acidente com o avião da TAM, que colidiu com um terminal de cargas da própria empresa causando a morte de mais de 180 pessoas. Em entrevista à imprensa, o procurador da República, Márcio Schusterschitz, classificou o acidente com o vôo 3054 da TAM, "independentemente das causas", como uma "tragédia típica" de Congonhas. ?Dentro desse contexto o Ministério Público Federal (MPF) atribui as responsabilidades do acidente a quem tem o aeroporto nas mãos, ou seja, a Anac e a Infraero?.

É a segunda vez que o MPF pede o fechamento de Congonhas. Para ele, é necessário fechar o aeroporto porque o terminal tornou-se ?uma aventura arriscada?. O pedido do Ministério Público Federal pede a interrupção de todas as operações de pouso e decolagem nas pistas principal e auxiliar do terminal até que sejam confirmadas as devidas condições de segurança das pistas do Aeroporto. O juiz deu prazo de três dias após a notificação para que a Infraero e a Anac se pronunciem antes de decidir sobre o caso.

Hoje (23), o Aeroporto de Congonhas ficou fechado para pouso e decolagem, devido a problemas meteorológicos e a restrições na pista auxiliar. Os últimos números da Infraero revelam que o aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, está operando quase no limite e com atraso, devido ao redirecionamento de vôos.