Justiça condena igreja

Salvador – O Tribunal de Justiça da Bahia confirmou ontem a condenação da Igreja Universal do Reino de Deus por ofensas à mãe-de-santo Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, estipulando para seus familiares uma indenização de R$ 960 mil, valor menor que a condenação anterior, de primeira instância, que foi de R$ 1,3 milhão. A decisão se refere a um recurso impetrado pelos advogados da Igreja Universal contra a primeira decisão da justiça. O processo teve como julgadores, na 4.ª Câmara Cível, os desembargadores Juarez Santana, relator, Paulo Furtado, revisor e João Pinheiro, terceiro julgador.

Em 2000 a jornal Folha Universal, da Igreja Universal, estampou uma foto de Mãe Gilda, pirateada da revista Veja, com a manchete ?Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes?. O episódio, aliado a agressões de evangélicos que chegaram a invadir o terreiro da ialorixá, agravaram a doença cardíaca de Mãe Gilda, que acabou morrendo vítima de um enfarte.

A filha da mãe-de-santo, Jaciara Santos, que iniciou a ação de indenização em 2001, classificou o resultado como uma vitória ?não pelo valor da indenização, mas, porque, independentemente das crenças, as pessoas devem ter amor no coração e não falar mal desta ou daquela religião?.

O advogado Carlos Oliveira, que representa a família da Mãe Gilda, admite que o caso ainda não foi encerrado, pois a Igreja Universal ainda pode recorrer, mas comemorou o resultado, que significa para ele que o Judiciário baiano ?não compactua com a discriminação, seja ela qual for?, disse.

Em maio, um grupo de 50 mães, pais e filhos-de-santo, representando 40 terreiros de candomblé da capital baiana, protestou em frente ao Tribunal de Justiça contra a morosidade do julgamento do caso.

O desembargador Juarez Santana recebeu uma comissão e garantiu que o resultado sairia até o início do segundo semestre, o que efetivamente ocorreu.

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