O suíço Christian Peter Weiss, representante do banco Credit Suisse que estava preso desde quarta-feira (16), foi posto em liberdade nesta segunda-feira (28) graças a um habeas-corpus concedido pelo juiz federal Márcio Mesquita. Membro do alto escalão do banco, o suíço é acusado de captar clientes para o Credit Suisse, que não tem autorização para operar no Brasil, e sonegar imposto ao remeter dinheiro de brasileiros para a Suíça, sem conhecimento e autorização do Banco Central. Para isso, teria utilizado contas em países vizinhos, sobretudo no Uruguai.

No documento em que concede o habeas-corpus solicitado pelos advogados de defesa, o juiz afirma que as provas reunidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal não são suficientes para afirmar que o suíço realizava atividades ilícitas no Brasil. Weiss foi preso em um hotel de luxo no Rio. Ele vinha sendo monitorado desde que chegou ao País, 15 dias antes, e estava prestes a retornar à Suíça. Durante esse período reuniu-se com clientes no Rio, em São Paulo e no interior paulista.

No lixo do quarto onde Weiss estava hospedado, a PF encontrou pedaços de papel picado que, reconstituídos por peritos da PF, provariam as supostas transações irregulares e orientariam o suíço sobre o que fazer caso fosse abordado por autoridades brasileiras. Mas, com base em declarações da doleira Claudine Spiero – também acusada de participar de um esquema de evasão de divisas desmantelado pela PF -, segundo as quais os documentos reunidos contêm apenas ordens de compra e venda de posições de investimento, feitas por clientes do Credit Suisse, o juiz afirma que Weiss poderia estar no País a trabalho, para tratar diretamente com clientes brasileiros do Credit Suisse. ?A simples manutenção de conta bancária em instituição financeira no exterior não constitui conduta ilícita?, diz o documento expedido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.