São Paulo – O juiz federal Manoel Álvares, primeiro alvo da Operação Têmis, admitiu ter ligações muito próximas com o advogado Luís Roberto Pardo, apontado pela Polícia Federal como o principal lobista de organização criminosa supostamente envolvida em venda de sentenças judiciais em causas tributárias. Durante cerca de nove meses, Manoelzinho, como é conhecido o magistrado, foi monitorado pela PF na Têmis. Seus telefones foram grampeados, os diálogos gravados, os passos filmados. A PF e a Procuradoria da República o colocam no centro do esquema que teria operado na primeira instância da Justiça Federal em São Paulo e chegou ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região.

?Desde 1999, entrei na lista de promoção para desembargador quatro vezes. Nas duas últimas, o Pardo me ajudou, intermediando encontros meus com os ministros Sepúlveda Pertence (do Supremo Tribunal Federal), Nilson Naves (Superior Tribunal de Justiça), e vários de deputados e senadores, entre eles Delcídio Amaral (PT-MS)?, revela o juiz, que sofreu infarto em fevereiro e está desde então afastado do cargo. ?Ele nunca exigiu nada em troca e esse apoio não culminou com a minha promoção.?

Aos 65 anos, Manoelzinho foi procurador do Estado, antes de ingressar na magistratura de São Paulo. Depois de aposentar a toga estadual, migrou para a Justiça Federal. Entre abril de 2003 e agosto de 2006, ocupou o gabinete do desembargador Roberto Haddad, que na época estava afastado de suas funções por suposto uso de documentação falsa. Agora, o nome de Haddad é citado na Têmis.