Salvador voltou a registrar, entre o fim da tarde e o início da noite de sábado, confrontos entre jovens manifestantes e policiais militares. Os confrontos, apesar de menores que os registrados na noite de quinta-feira, também deixaram destruição em dois pontos da cidade, o Centro e a região do Iguatemi, centro financeiro de Salvador. Pelo menos três pessoas ficaram feridas e outras seis foram detidas durante os protestos, entre eles um jornalista.

O Shopping Iguatemi, o mais movimentado da cidade, chegou a fechar as portas, por volta das 19 horas, por causa de um confronto ocorrido na frente do estabelecimento. A tarde de manifestações em Salvador parecia não ter relação com o grande confronto de quinta-feira. Divididos em quatro grupos, em pontos diferentes da cidade, os jovens promoviam, desde o meio-dia, caminhadas e atos pacíficos.

Nas duas principais manifestações, um grupo partiu caminhando da região do Iguatemi, no sentido do centro histórico, por volta das 14 horas. Pouco depois, o outro fez caminho inverso: promoveu uma concentração na Praça do Campo Grande e seguiu sentido Iguatemi – um percurso de mais de dez quilômetros.

Os grupos, com cerca de 5 mil pessoas, somadas, se encontraram no meio do caminho e uniram forças a caminho do Iguatemi. Tudo de forma pacífica, com os policiais apenas observando a mobilização, à distância. Enquanto isso, grupos menores protestavam na Estação da Lapa e no Vale dos Barris, ambos nas proximidades da Arena Fonte Nova – que a esta altura recebia a partida entre Brasil e Itália.

Na estação, fechada no período da Copa das Confederações, os jovens apenas se sentaram, cantaram e gritaram palavras de ordem. Já nos Barris, parte dos cerca de 500 manifestantes tentaram invadir o perímetro de segurança do estádio, pouco depois das 16 horas. A PM reagiu com bombas de gás lacrimogênio e, na dispersão, os manifestantes voltaram a promover quebra-quebra pela região.

Lixeiras e contêineres de lixo queimados, placas e pontos de ônibus foram destruídos antes de o confronto ser concluído. Cinco jovens foram presos no local. Três deles (entre eles um adolescente) por levar garrafas de coquetel molotov em uma mochila, um manifestante, por incitar a violência, e um acusado de tentar arrombar lojas da região durante o confronto.

Pouco depois, às 18 horas, os manifestantes que faziam a caminhada chegaram ao Iguatemi dispostos a embarcar gratuitamente nos ônibus que passassem pelo local. Como nenhum veículo do transporte público passou pelo local nos minutos seguintes, os jovens sentaram-se no chão, passaram a gritar palavras de ordem. Tudo pacificamente, até por volta das 18h30, quando alguém disparou fogos de artifício para o chão da avenida. A polícia reagiu, com bombas e spray de pimenta, e foi iniciado o confronto, que durou cerca de 20 minutos.

O shopping fechou as portas e houve depredação de bens públicos, como pontos de ônibus. Um jovem passou mal depois de inalar o gás. Um jornalista foi detido, depois de discutir com um policial que jogou spray de pimenta no rosto de um fotógrafo. Após o fim do conflito na região do Iguatemi, parte dos jovens reiniciou a marcha, de forma pacífica, por volta das 20 horas, para a avenida Paralela, que liga o Iguatemi ao aeroporto.