São Paulo – O estudante universitário Bruno Aguiar Lopes, de 20 anos, espancou e manteve em cárcere privado a mãe e a empregada da casa, ontem de manhã, na residência onde morava a família, num condomínio de classe média alta, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Consumidor de drogas desde os 14 anos, de acordo com a polícia, ele chegou a cortar um pedaço da orelha da empregada, amarrada a uma cama.

Desde segunda-feira Lopes estava proibido de entrar em casa e sua mãe pediu que o porteiro o barrasse. Há cerca de seis meses o estudante esteve internado para tratamento do vício mas, quando saiu da clínica, ameaçou matar a mãe por ter sido internado contra a vontade.

Por volta das 9h Lopes chegou ao prédio, mas o porteiro não conseguiu impedi-lo de entrar. Ele foi até o apartamento da mãe, a médica Roselene Petrato Aguiar, 40, e exigiu que lhe desse R$ 1.000, mas como ela se recusou, foi espancada. “Ela recebeu socos na nuca, na cabeça e tapas no rosto”, contou a delegada Joana D?Arc de Oliveira, do 11.º DP.

Violência

Lopes trancou Roselene no banheiro e impediu que a empregada, Elizabeth Martins de Abreu Silva, 29, fugisse. Levou-a para o banheiro onde a obrigou a beber a água do vaso sanitário. O universitário obrigou Elizabeth a entrar em um dos quartos, amarrou-a na cama com o rosto voltado para o colchão e a espancou. Ele prendeu os pés e as mãos da vítima com um cinto e o fio elétrico de um secador de cabelos. Com um alicate de unhas cortou parte da orelha direita da vítima. “Quando ela foi socorrida estava roxa”, contou a delegada, acrescentando que Elizabeth levou 28 pontos na cabeça.

Por volta das 11h, a mãe convenceu o filho a libertá-la, ofereceu a ele seu cartão de crédito e forneceu a senha. A delegada acredita que Lopes percebeu a gravidade de seus atos e, por isso, sugeriu três saídas para a mãe resolver o problema: ele cometeria suicídio, mataria as duas ou forjaria um flagrante de roubo no qual a empregada seria acusada.

O estudante colocou a carteira da mãe no bolso da roupa de Elizabeth e chamou a polícia. A versão seria de que fora flagrada roubando e resistiu, por isso teve que amarrá-la. Desconfiada, a delegada Joana foi até o apartamento verificar detalhes. “O local apresentava sinais de que houve luta, estava revirado”, comentou ela. Depois de conversar com a mãe de Lopes, a delegada conseguiu que ela confessasse a verdade. O estudante foi autuado em flagrante por cárcere privado.