Na tentativa de conquistar apoio político para o futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), inicia na próxima semana uma série de encontros com os presidentes de partidos que hoje integram a base de sustentação do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Na mira do PT está, principalmente, o PMDB, que fechou esta semana um acordo com os petistas em torno das presidências da Câmara e do Senado. Esta aliança seria o primeiro passo para a adesão do PMDB ao governo Lula. Mas o partido está dividido e teme ser acusado de fisiologismo.

Afinal, o PMDB foi parceiro de PSDB na candidatura derrotada à Presidência de José Serra. ?O PMDB já foi taxado de fisiologismo no governo de Fernando Henrique e, por isso, podemos ajudar o futuro governo, mas sem ocupar cargos?, afirma o deputado Renato Viana (PMDB-SC). ?As urnas nos colocaram na oposição, mas seria maluquice fazer uma oposição radical a um presidente que foi eleito com mais 60% dos votos válidos?, observa o vice-presidente do PMDB, deputado Cezar Schirmer (RS).

Com a participação do presidente Fernando Henrique, a cúpula do PSDB que se reuniu ontem também optou por fazer uma oposição light ao futuro governo. ?Vamos ser uma oposição construtiva e não para atrapalhar o governo?, garante o presidente da Câmara e governador eleito de Minas Gerais, deputado Aécio Neves. Mas, há divergências entre os tucanos sobre o tipo de oposição ao governo de Lula.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA), insiste na proposta de fixar o salário mínimo em R$ 240,00. Alega que aumento de receita previsto para o ano que vem é suficiente para arcar com os gastos decorrentes da elevação do mínimo para R$ 240,00.

Enquanto PMDB e PSDB caminham em direção a uma oposição moderada, o PFL e o PPB deverão fazer o papel de oposição radical e contundente ao futuro governo. O PFL já deu mostras que pretende atrapalhar a vida de Lula no Congresso: a Executiva do partido decidiu, ontem, que não concorda com a manutenção da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) em 9%  prevista na medida provisória 66, que também acaba com o efeito cascata na cobrança do PIS/PASEP.

Se a alíquota da CSLL voltar para 8%, o futuro governo deixará de arrecadar cerca de R$ 2 bilhões no ano que vem. Os pefelistas também se posicionaram contra a continuidade da alíquota de 27,5% para o Imposto de Renda da Pessoa Física. A tendência é o PPB adotar também uma linha mais radical de oposição ao governo de Lula.

Caso o PMDB venha a fazer parte da base de sustentação do futuro governo, Lula deverá contar com o apoio de 294 deputados e 49 senadores. É que o presidente eleito já tem praticamente fechado o apoio de partidos que foram seus aliados no primeiro e segundo turno das eleições: PC do B, PMN, PL, PTB, PDT, PPS, PSB e PV. Na próxima semana, Lula deverá se encontrar com os presidentes de partidos de esquerda para tentar fechar o apoio a seu governo.