A Polícia Federal, com a ajuda de analistas da Caixa Econômica Federal, avaliou em R$ 639,8 mil o valor das jóias apreendidas em poder de 28 presos na Operação Furacão, em abril passado. A maior parte dos bens foi recolhida nas residências e escritórios de bicheiros e empresários de jogos do Rio. Esse valor é subestimado – um terço do valor real, aproximadamente, pois leva em conta a tabela do balcão de penhores da Caixa, não considerando o valor intangível relativo a grife, assinatura do artista ou a sofisticação da jóia.

Os laudos, num total de sete, divulgados nesta terça-feira (12) pela PF, dão uma idéia do fausto e esbanjamento que cercam o mundo da contravenção do Rio. Foram examinados 638 itens, entre anéis, brincos, gargantilhas, pulseiras, colares, correntes, broches, cortador de charutos, chocalhos, braceletes e pendentes, tudo de ouro. Muitas peças são cravejadas de diamante e pedras preciosas. Um dos laudos foi dedicado apenas às 556 gemas lapidadas de pedras preciosas.

Chama a atenção a presença de grande quantidade de jóias com motivos que aludem à jogatina ou às preferência de bicheiros. Há vários pingentes, gargantilhas e adereços de ouro na forma de beija-flor, símbolo da escola de samba Beija Flor de Nilópolis. Campeã do carnaval carioca, a escola é comandada pelo bicheiro Aniz Abrahão Davi, o Anísio da Baija Flor.

A PF vai pedir à Justiça autorização para leiloar as jóias, para preservar seu valor de mercado contra perdas e depreciações e também como garantia de ressarcimento futuro de danos ao erário. Como não há lei específica nesse sentido, a PF pedirá que seja usada, por analogia, a lei de crimes antidrogas, que permite o uso do bem apreendido em poder de traficante, ou leilão.