Porto Velho (RO) – No sétimo e último dia de viagem pelos postos de fronteira na Amazônia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que vai discutir com militares e integrantes do governo as possibilidades e limitações para atuação de tropas militares nos centros urbanos. Jobim quer retomar o debate sobre o conceito constitucional de garantia do direito e da ordem e o estatuto legal de tropas no combate à violência urbana.

continua após a publicidade

"Não sou a favor nem contra, tomaremos qualquer decisão com base em uma discussão transparente ouvindo todos os setores", disse o ministro, em entrevista na 17ª Brigada de Infantaria de Selva, em Porto Velho. Para Jobim, a presença das tropas militares nas cidades contribuiria para aumentar a percepção de segurança da população. "Precisamos deixar de identificar Forças Armadas com repressão política."

Em abril, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, enviou proposta ao governo federal pedindo a atuação do Exército, Marinha e Aeronáutica no combate ao crime no estado. O assunto começou a ser tratado pelo então ministro da Defesa, Waldir Pires. Desde que assumiu o cargo, em julho, Nelson Jobim analisa o tema, mas concentra esforços no debate sobre o sistema aéreo.

"Pelas atribuições constitucionais a segurança pública é função dos estados. Temos que lembrar que a participação do Exército só pode ser feita através de determinação do presidente da República. Por hora, o apoio que o Exército pode dar é logístico", pondera Jobim, que elogiou as operações policiais realizadas no Rio de Janeiro nos últimos meses.

continua após a publicidade

Ontem (17), uma operação da Polícia Civil do Rio deixou 12 mortos nas favelas da Coréia e do Taquaral. Entre os mortos, uma criança de quatro anos, um policial civil e dez homens que seriam ligados ao tráfico de drogas na região, segundo a polícia. "No Rio, houve uma decisão correta do governador de ir para o enfrentamento ao crime organizado", avaliou o ministro da Defesa.

Na última semana, uma comitiva liderada por Jobim percorreu 17 organizações militares de fronteira. Foram inspecionados nove pelotões especiais de fronteira, cinco batalhões de infantaria de selva e três brigadas de infantaria de selva. Essas unidades são responsáveis por fiscalizar as fronteiras do país. Com base nas informações repassadas pelos militares, o governo federal vai elaborar um plano estratégico de defesa nacional. A conclusão do plano está prevista para o ano que vem.

continua após a publicidade