O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou sua presença na abertura da edição extraordinária do Fórum Nacional sobre o setor aéreo na quinta-feira (2), informou o ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, que promove o evento. A idéia desta edição do Fórum é diagnosticar os problemas e "apresentar um plano de desenvolvimento da aviação comercial com segurança".

Propostas nesse sentido serão apresentadas pelo diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Josef Barat e pelo ex-ministro da Aeronáutica, brigadeiro Mauro Gandra, que farão suas apresentações logo após a de Jobim, e depois elas serão debatidas por especialistas. O evento será realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Jobim terá um encontro a portas fechadas com o presidente da instituição, Luciano Coutinho, que, no entanto, não participará do evento.

Coutinho já colocou o banco à disposição de Jobim para ajudar com estudos e projetos de seus próprios técnicos. O presidente do BNDES também pretende criar um fundo que financie a contratação de consultorias, estudos e projetos sobre infra-estrutura em geral, incluindo o setor aeroportuário. O banco tem feito estudos sobre outras modalidades de transporte e projetos como o do trem-bala entre Rio e São Paulo, que poderão vir a ajudar a desafogar os aeroportos.

Em janeiro, quando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi anunciado, não havia previsão de participação do BNDES no financiamento ao setor aeroportuário. Dos R$ 503,9 bilhões em investimentos previstos no PAC, apenas R$ 3 bilhões seriam destinados aos aeroportos, sendo que R$ 969 milhões viriam da Infraero e o restante do Orçamento Geral da União. Agora, o governo está tentando que o BNDES financie cerca de R$ 1 bilhão para aeroportos, incluindo o apoio à construção de um aeroporto na região metropolitana de Natal (RN), no município de São Gonçalo do Amarante. O banco está estudando como fazer.

Entraves

A intenção de Coutinho é de que o banco apóie o setor. Mas há dificuldades de legislação, como a proibição de que o banco financie o governo federal e as limitações para financiamentos ao setor público nos níveis estadual e municipal. Reis Velloso, que também é integrante do Conselho de Administração do BNDES, acredita que instituição pode contribuir principalmente com estudos setoriais, mas, acrescentou, não faltam recursos ao banco para financiar projetos que antes não estavam programados. "Se há um país em que a aviação é importante, ele se chama Brasil. Ir do Rio à Brasília é como cruzar a Europa de uma ponta a outra", disse.