O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta sexta-feira (8) que não vê nenhum problema no exame das compras com cartões corporativos do governo por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). "Não há nada a esconder. Essas investigações fazem parte do jogo democrático", disse o ministro, acrescentando que ele mesmo não tem o cartão. "Mas devemos ter a partir de agora, inclusive seguindo a orientação para alguns tipos de gastos", afirmou o ministro, referindo-se às últimas orientações do governo, publicadas em decreto nesta semana, para impedir abusos.

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Jobim informou que pediu aos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica e ao Secretário de Orçamento do Ministério da Defesa que façam um "exame completo" em relação a esses gastos, para preparar as informações necessárias à CPI. O ministro disse que vai se reunir na segunda-feira com os comandantes das três Forças para orientá-los sobre o uso desses cartões. O Comando da Marinha é citado no Portal da Transparência do governo no uso de cartão corporativo para a compra de chocolates finos e brinquedos de pelúcia.

Jobim, que estava no exterior quando foi feita a denúncia, disse que determinou que todos os gastos do comando sejam examinados, embora não acredite que tenha ocorrido irregularidades no uso do cartão corporativo.

O comandante da Marinha, Júlio de Moura Neto, que acompanhou a entrevista do ministro, disse que não houve nenhuma compra de brinquedos de pelúcia com o cartão. Segundo ele, o que aparece no Portal da Transparência é que foi feita uma compra na loja Paraíso da Pelúcia, o que não significa necessariamente brinquedo. O comandante, porém, não soube informar o que tinha sido comprado, mas disse que mandou verificar. O comandante Moura Neto disse que não desconfia que algum subordinado possa ter descumprido as orientações para o uso do cartão. "Mas para ter certeza absoluta de que isso não ocorreu, eu mandei fazer uma verificação rigorosa de todas as despesas".

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Ele lembrou que qualquer tipo de compra exige uma nota fiscal que detalha o que está sendo gasto, e é isso que os órgãos da Marinha vão verificar. O comandante informou que não há prazo para a conclusão das investigações e assegurou que se houver erro no uso do cartão "tomaremos medidas administrativas necessárias".