Jobim exige apuração sobre pilhagem após desastre

O ministro da Defesa, Nélson Jobim, disse que espera que as denúncias de que as vítimas da tragédia do vôo da Gol 1907, em 29 de setembro do ano passado, tenham tido seus documentos e objetos pessoais como celulares, dinheiros e jóias roubados, depois que o avião caiu na selva amazônica, sejam "definitivamente apuradas". A notícia foi divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo em sua edição de hoje. Jobim afirmou que não acredita que pessoas da Aeronáutica que trabalharam no resgate dos corpos possam estar envolvidas neste problema.

Sobre a questão da segurança nos pousos e decolagens, o ministro da Defesa adiantou que vai pedir um levantamento completo à Aeronáutica e à Infraero do estado das principais pistas dos aeroportos do País. Jobim quer também um mapeamento completo das áreas no entorno destes aeroportos. O ministro quer tentar evitar que se repita em outros aeroportos do País, problemas que existem hoje em Guarulhos e Congonhas, em São Paulo, locais onde as cidades avançaram sobre o entorno deles.

Jobim evitou criticar a Agência Nacional de a viação Civil (Anac), que tem sido acusada por diversos segmentos da sociedade de não estar cumprindo seu papel fiscalizador em relação às empresas aéreas. Segundo o ministro, "não dá para avaliar agora" se a Anac funciona ou não funciona. "Vamos fazer uma avaliação disso", afirmou. As declarações do ministro Jobim foram feitas em entrevista coletiva hoje, durante visita que a unidades militares em Manaus.

O resgate dos corpos no interior de Mato Grosso, onde o avião caiu e os corpos foram resgatos, foi coordenado pelo Comando da Aeronáutica. Mas, antes de eles chegarem ao local, moradores da região e índios chegaram ao local e foram, inclusive, responsáveis por dizerem o ponto exato onde estava a aeronave. Além da Aeronáutica, a própria companhia aérea Gol e a Blake Emergency Services, empresa inglesa contratada para fazer o serviço de desinfecção e higienização de todos os pertences, também, manusearam estes pertences, que ainda foram encaminhados ao Ministério Público, de acordo com a Aeronáutica.

O ministro Jobim disse que soube do fato ainda ontem e comentou que se informou com a Aeronáutica sobre o episódio. "O trabalho inicial da Aeronáutica foi a entrega desse material para a empresa (não citou se a Gol ou a Blake) e tivemos de sete a nove atores que circularam na área em torno destes instrumentos", declarou o ministro. "Eu espero que isso seja apurado. Que isso seja definitivamente apurado", afirmou Jobim.

Ao ser indagado se achava que alguém da Aeronáutica poderia ter alguma responsabilidade no sumiço do material, das vítimas, o ministro respondeu: "não, não tem. Eu espero que não tenha. Mas não creio que tenha".

O Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, não comentou as denúncias.

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