Rio – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, criticou a medida do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que, supostamente, permitiria o nepotismo. Durante uma palestra em São Paulo para falar sobre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o ministro afirmou que não conhecia a norma do tribunal do Rio, mas frisou que a resolução do conselho é constitucional e que a Justiça está a serviço dos cidadãos, não de seus membros.

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 Em seu discurso, Jobim elogiou a seriedade do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Rodrigo Collaço, que propôs a ação pela qual o Supremo confirmou a resolução do CNJ, que proibiu a prática de nepotismo no Judiciário.

O Órgão Especial do TJRJ decidiu na última segunda-feira mexer na estrutura organizacional dos cargos comissionados, o que poderá levar à volta do nepotismo no Judiciário do Rio. Servidores com cargos de comissão DAS 6 (R$ 2,8 mil mensais) e DAS 8 (R$ 3,5 mil) deixarão de estar vinculados diretamente aos gabinetes dos desembargadores e passarão a fazer parte do Departamento de Coordenação e Assessoria Direta aos Desembargadores e Secretarias de Órgãos Julgadores, um setor a partir do qual serão designados para cumprir tarefas.

Nesta quarta-feira, Collaço criticou a decisão do TJ do Rio. O presidente da AMB classificou a medida de "tentativa quase infantil" de driblar a proibição de contratar parentes para cargos de confiança.

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"É lamentável. Parece que está faltando reflexão aos dirigentes do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que não podem lançar uma instituição com tanta tradição à execração pública, que é o que vai acontecer com essa tentativa quase infantil de burla à proibição do nepotismo", disse.