Agência Brasil
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Jefferson: "Eu tenho que passar por ele".

Brasília – O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ameaçou comprometer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no discurso de defesa que deverá fazer no plenário da Câmara nesta quarta-feira. Ele vai falar antes da votação do pedido de cassação de seu mandato. "Eu tenho de passar por ele (presidente). O meu discurso passa pelo governo dele (Lula)", disse Jefferson. O deputado chegou ontem à Câmara por volta das 15h40 e contou que havia sido convidado a participar da reunião da bancada do PTB, realizada na sala da liderança do partido.

Sorrindo para os fotógrafos, Jefferson preferiu não dar detalhes do discurso. Em tom irônico, afirmou que falará bem do governo. "Não quero adiantar meu discurso. Vou falar bem do presidente Lula e desse núcleo duro dele", disse, antes de participar da reunião do PTB. Jefferson garante não temer a cassação do mandato. Autor das denúncias do mensalão, deu uma gargalhada ao ser indagado se apresentaria os R$ 4 milhões que recebeu do PT e do empresário Marcos Valério para financiar a campanha eleitoral do PTB em 2004.

"Estou pronto para o que vier. Só quero que chegue logo a hora. Já estou preparando o discurso, mas quero falar sem ler. Se eu for cassado, eu vou cantar", disse. O deputado preferiu ser cauteloso ao comentar o suposto pagamento de mensalinho ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). "Torço para que o caso seja esclarecido, mas eu tenho muito respeito pelo presidente Severino", afirmou. Líder do PTB diz que a bancada vai votar unida contra a cassação de Jefferson.

O líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE), e o deputado Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), foram escalados para encaminhar a votação contra a cassação por quebra de decoro parlamentar do presidente licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), marcado para esta quarta-feira. O acusado também terá direito a falar e Múcio garantiu que Jefferson terá os votos dos 45 deputados do PTB pela sua absolvição. O líder do PTB disse também que confia na absolvição do companheiro.

"Vamos defendê-lo com convicção! Tenho certeza de que será absolvido. Se o Toninho da Barcelona teve delação premiada, se o Marcos Valério teve, se o Buratti teve, por que não seria premiado quem deflagrou todo esse processo?", indagou Múcio.