A regularização fundiária de casas em áreas tombadas do Jardim Botânico, no Rio, foi suspensa pelo Tribunal de Contas da União nesta semana.

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O órgão deu dois meses para que a administração e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) delimitem formalmente o parque e 300 dias para que registrem os limites em cartório. Apesar de ser tombada pelo Iphan desde 1938, a extensão da unidade não está regularizada.

O TCU também revê a situação de 210 moradores que tinham conseguido decisão definitiva da Justiça autorizando a permanência no local. Com exceção de imóveis cedidos à Light, ao Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e à Emprapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que por enquanto ficaram de fora da decisão, os demais sofrerão reintegração de posse.

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Posteriormente, serão transferidos pela Secretaria de Patrimônio da União ao Jardim Botânico, incluindo o Horto Florestal onde os moradores estimam a existência de 620 casas.

A ocupação começou com a instalação de casas por funcionários do parque – criado há 204 anos por dom João 6º -com autorização do Poder Público.

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“Mas ela cresceu menos que as demais áreas de classe alta do bairro Jardim Botânico”, afirma a presidente da Associação de Moradores e Amigos do Horto, Emília Souza.

A entidade recorrerá da decisão, enquanto tentará, por meio da secretaria e do Ministério do Meio Ambiente, excluir as residências mais antigas da delimitação.

“Quando as pessoas se mudaram para o Horto, aquilo era área da União, não era [área de visitação ou de pesquisas] do parque. Somos moradores, não invasores”, disse. Para ela, há especulação imobiliária nos imóveis e preconceito contra os moradores de classe baixa.

“Aberta ao diálogo”, a presidente diz que a associação aceita negociar a remoção da famílias em zonas de risco à beira do rio dos Macacos para áreas legalizadas próximas ao Horto.

Do outro lado, na defesa do reconhecimento em cartório dos limites do tombamento do Jardim Botânico pelo Iphan, está a Associação de Moradores e Amigos do Jardim Botânico. O presidente da entidade, João Senise, acredita que a regularização dos imóveis onde estão as famílias criaria um bairro dentro de um parque, com grande prejuízo ambiental.

“Vamos pressionar o Iphan para que não abra mão de nenhum centímetro do Jardim Botânico”, disse.

Procurados, o Iphan e a secretaria informaram que não foram notificados da decisão e preferiram não comentá-la. O presidente do Instituto de Pesquisa Jardim Botânico também não respondeu.