?Irmãos? favoráveis à retirada de arrozeiros são preguiçosos, afirmam índias

Uma das centenas de pessoas entrincheiradas na Vila Surumu, distrito de Pacaraima, para resistir à retirada iminente dos não-índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, a senhora indígena Valdísia da Silva, da comunidade Prakuár, se apresenta espontaneamente e pede para conceder entrevista. Diz morar ali desde que nasceu e  estar ?engasgada? para falar o que sente. Ela não poupa críticas aos parentes que defendem a expulsão dos arrozeiros da área.

?Se ficar essa área liberada, ninguém faz nada. Nossos irmãos do CIR [Conselho Indígena de Roraima] só dão dor de cabeça para nós, empatam a pescaria, não querem trabalhar, só querem ficar dormindo e comendo sem fazer nada?, disse a senhora.

Para Valdísia, a população da área já perdeu sua identidade cultural há muito tempo e deve se adequar à realidade: ?Nós não somos mais índios, nós somos aculturados, somos brancos já.  A maioria é casada com branco, tem filho branco, marido preto e não sou contra isso?.

Os arrozeiros, segundo a senhora, sempre ajudaram as comunidades da área. Quem deveria sair, ressaltou, ?são esses que são contra nós?.

Ainda na empoeirada  estrada de acesso à Vila Surumu, a índia Ilda Silva, que pegava carona na carroceria da caminhonete de um arrozeiro, também saiu em defesa dos patrões e criticou a operação da Polícia Federal em curso: ?Essa polícia não devia fazer isso com a gente. Precisamos trabalhar. Quando ele [Quartiero, líder dos arrozeiros] era prefeito, dava rancho [comida]  para o colégio.  Hoje, nós estamos machucados?.

A índia acrescentou que os patrões são responsáveis pela produção de arroz que ?vai para Pacaraima, Boa Vista, todo o estado?.

Nas proximidades da Vila Surumu estão as fazendas do líder dos arrozeiros Paulo César Quartiero. Cinco grandes máquinas agrícolas e dezenas de pneus reforçam a barreira montada, que tem as bandeiras brasileira e venezuelana estendidas (a fronteira está a poucos quilômetros dali).

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