Investigadores que atuam na apuração da máfia do Imposto sobre Serviços (ISS) apuram novas denúncias de irregularidades na cobrança de tributos na capital. O esquema lesaria o ISS geral, cuja arrecadação anual é de cerca de R$ 10 bilhões, ou perto de 20% da receita pública da capital paulista.

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No depoimento aos promotores, o ex-auditor Eduardo Horle Barcellos afirmou que “um dos grandes esquemas de arrecadação do chamado ISS/Geral era a decadência”. “Decadência” é um termo tributário: significa que a Prefeitura, ou outro ente, perdeu o prazo para cobrar títulos de dívidas. Dessa forma, a dívida caduca.

“Os auditores fiscais operavam da seguinte forma: sempre deixavam para fiscalizar em que operaria a decadência. Efetivavam a fiscalização e constatavam a multa que seria imposta. Sobre esse valor, cobravam propina para que não houvesse a lavratura daquele auto, ou lavravam o auto em um valor irrisório”, revela o depoimento ao Ministério Público.

Se a decadência acontecia, “o fiscalizado pagador da propina era orientado a destruir documentos fiscais com a implementação da decadência”.

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Prefeitura

Barcellos afirmou que, somente em uma suposta negociação, ocorrida no 5º andar do Edifício Matarazzo (onde fica o gabinete do prefeito de São Paulo, na época Gilberto Kassab), um empresário conhecido como “Chapinha” teria dado R$ 5 milhões a Ronilson e a outro fiscal da máfia.

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Essa ação teria criado outro esquema milionário de cobrança de propinas na cidade de São Paulo, segundo as revelações anotadas pelo MPE. “Os auditores fiscais do setor ISS/Geral criavam verdadeiras carteiras de grandes empresas, que sempre se valiam do expediente de pagar propina em troca de se deixar operar a decadência de seus autos de infração.” Empresas de diversos setores da economia são relacionadas nesse esquema.

O controlador-geral do Município, Roberto Porto, que também investiga a máfia do ISS, informou que a “Prefeitura atua em parceria com o Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), do MPE, no caso”. A suspeita é de que o rombo causado pelo esquema seja maior até do que o da primeira ação da máfia, cujo desvio é estimado em R$ 500 milhões.

Investigações

A ação da máfia do ISS, revelada após a Operação Necator, desencadeada em 2013, consistia em cobrar propina de construtoras na hora de emitir o Certificado de Quitação do imposto. Esse documento é necessário para as incorporadoras pedirem o Habite-se de novos prédios. Os fiscais recebiam a propina e cancelavam valores de ISS devidos por empreiteiras.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.