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Foto: Gustavo Bezerra/Agência Câmara

Bruno Maranhão, que liderou quebra-quebra no Congresso, foi indiciado em 4 crimes.

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a invasão e depredação de instalações da Câmara dos Deputados por militantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST). Ocorrida em 6 de junho passado, a baderna deixou 38 pessoas feridas, duas delas gravemente e causou um prejuízo de R$ 106 mil. Por conta do episódio, 115 manifestantes – 42 deles presos – estão indiciados nos crimes de lesão corporal, formação de quadrilha, corrupção de menores e danos ao patrimônio público e privado. Somadas, as penas podem chegar a até 12 anos de prisão.

A PF pedirá a manutenção da prisão dos acusados até o julgamento, entre eles Bruno Maranhão, líder do movimento e então integrante da executiva do PT. Além de membro da cúpula do partido, a Associação Nacional de Apoio à Reforma Agrária (Anara), fundada e comandada por Maranhão, recebeu R$ 5,6 milhões só do governo do PT, para assistência a assentamentos dentro do programa de reforma agrária.

Os 115 manifestantes participaram de uma reunião na sede da Contag, em Brasília, na véspera da invasão à Câmara, ocasião em que deliberaram pelo quebra-quebra e discutiram os detalhes da operação. A fita com a filmagem da reunião está em poder da Polícia Federal para ser periciada pelo instituto de criminalística.

Invasão

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Cerca de 300 pessoas do Movimento pela Libertação dos Sem Terra entraram em conflito com os seguranças da Câmara durante a invasão do anexo do prédio. Portando paus e pedras, os manifestantes agrediram seguranças e funcionários da Casa, deixando vários feridos. Os manifestantes destruíram praticamente todo o material exibido em uma exposição sobre meio ambiente, no saguão do Anexo 2 da Câmara dos Deputados.

Criado em 1967, o MLST é uma dissidência do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra. Atua principalmente no estado de Pernambuco. O grupo já invadiu o prédio do Ministério da Fazenda em Brasília, em maio de 2005, para protestar contra o corte do orçamento pelo governo, destinado aos assentamentos. O então ministro Antônio Palocci não se encontrava no prédio.

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Um DVD apreendido pela Polícia Legislativa com manifestantes do movimento que invadiram a Câmara mostrou que, dias antes da invasão,  eles estiveram no local em pequenos grupos como turistas e filmaram as dependências da Casa, como que elaborando um roteiro para a invasão. A partir do DVD, a Polícia Legislativa pretende mostrar que a ação foi planejada e que as pessoas que invadiram a Câmara, pelo menos a maior parte delas, passou por palestras de instrução e que, portanto, a ação foi premeditada.

Segundo o MLST, o grupo foi a Brasília para pedir a revogação da medida provisória que impede a vistoria em terras ocupadas e mais dinheiro para reforma agrária.

Justiça determina despejo à força de sem terra no MS

Campo Grande (AE) – As 1.060 famílias de sem terra que ocupam a Fazenda Teijin, no Mato Grosso do Sul, há três meses voltaram a entrar em estado de alerta por causa de uma determinação de despejo com força policial, caso não deixem o local pacificamente. Ontem, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu reconsiderar determinação da 3.ª Turma do Tribunal Regional Federal, com sede em São Paulo, que suspendeu os efeitos da desapropriação e ordenando desocupação imediata da propriedade rural.

A medida havia sido desconsiderada pelo próprio STJ no dia 21, com base em instrumento de agravo impetrado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Na decisão de ontem, o STJ julga procedente a ordem de despejo e a suspensão da desapropriação, deixando para o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir o mérito da questão.

Segundo a Procuradoria Regional do Incra, o novo parecer do STJ está em estudo para verificar a possibilidade de recurso. A questão toda está presa na decisão judicial sobre a produtividade da fazenda. O Incra defende que a área é improdutiva, ao contrário do Grupo de Desenvolvimento Agropecuário Teijin, dono do imóvel.

A pendência judicial se arrasta desde 2002, quando foi decretada a desapropriação e o Incra iniciou o assentamento e liberou créditos de reforma agrária.