O Instituto Butantan fechou parceria com a farmacêutica norte-americana MSD para produzir um medicamento avançado contra o câncer destinado aos pacientes do Sistema Único de Saúde. O acordo prevê transferência de tecnologia ao longo de dez anos para que o laboratório público brasileiro assuma a fabricação do pembrolizumabe, remédio que já é usado no SUS.
O que é o pembrolizumabe e como ele funciona?
O pembrolizumabe é uma terapia que estimula o sistema imunológico a identificar e combater as células cancerígenas. Diferente da quimioterapia tradicional, ele é menos tóxico para o organismo e tem demonstrado grande eficácia no tratamento de diversos tipos de câncer. Atualmente, o Ministério da Saúde compra o medicamento diretamente da MSD para tratar pacientes com melanoma metastático, um tipo agressivo de câncer de pele que se espalha para outros órgãos.
Quantas pessoas serão impactadas pela parceria?
Hoje, cerca de 1,7 mil pessoas são atendidas por ano com o medicamento, a um custo de R$ 400 milhões. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS está avaliando a inclusão do remédio para tratar casos de câncer de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. Com essa ampliação, a MSD calcula que a demanda aumente para aproximadamente 13 mil pacientes por ano.
A produção nacional do medicamento tem vantagens?
A produção nacional garante prioridade no fornecimento e diminui os custos ao longo do tempo. Além disso, deixa os pacientes brasileiros mais seguros, pois evita a falta do medicamento por problemas externos que possam interromper cadeias logísticas. O Butantan também desenvolverá competência para produzir outras moléculas similares no futuro, fortalecendo a capacidade tecnológica do país.
Como será feita a transferência de tecnologia?
O processo começa assim que as novas inclusões do medicamento no SUS forem aprovadas. A incorporação das etapas de produção será gradual ao longo de dez anos. Inicialmente, o Butantan aprenderá rotulagem e envase, depois passará para formulação e, por fim, chegará à produção do ingrediente farmacêutico ativo. A previsão é que leve até oito anos para produzir o componente nacional e finalizar o remédio 100% brasileiro.
Por que essa parceria é importante para o país?
A parceria faz parte de uma estratégia nacional que pretende nacionalizar a produção de 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS em até dez anos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a saúde passou a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados.



