Brasília – A volta do ministro demissionário da Casa Civil para a Câmara reduz o antagonismo sobre a condução da política econômica, estabelecido desde o primeiro momento do governo Lula, entre José Dirceu e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Mas não o elimina, pois o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que essa polaridade é saudável para a condução do governo e que vai cuidar para que a balança neste debate não fique desequilibrada.

Quando, no fim da semana passada, deu como certa a saída de Dirceu do governo, Lula comentou com auxiliares que Palocci terá que ser mais flexível na condução da política econômica. Com o fortalecimento evidente do ministro da Fazenda, o presidente quer estimular e ampliar o debate interno do governo para permitir o que chama de ?pequenas inflexões?, especialmente na execução orçamentária. Sem jamais ameaçar os fundamentos básicos da política econômica.

Entre os que devem ganhar fôlego no chamado grupo dos inquietos – que no governo Fernando Henrique Cardoso era identificado como desenvolvimentistas – estão os ministros Dilma Rousseff (Minas e Energia), que pode ir para a Casa Civil, Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Tarso Genro (Educação), Ricardo Berzoini (Trabalho), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Ciro Gomes (Integração Nacional), além do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).