Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, o presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), José Carlos Pereira, admitiu que os recursos atuais não são suficientes para atender o aumento de demanda de passageiros (15% ao ano) e o aumento de carga área (6% ao ano).

"Os recursos são suficientes para manter o status quo. Não temos recursos para nos mantermos mais a frente. Temos nos mantido ligeiramente empatados com a demanda", reconheceu Pereira, que começou a depor às 9h20. Segundo ele, a principal dificuldade no sistema aéreo brasileiro é o planejamento.

O presidente da Infraero criticou a ausência de um plano aeroviário nacional, que começou a ser feito agora, mas estava em negociação desde 2003. De acordo com ele, a situação da Infraero não permite mais adiamento no pagamento da dívida de empresas aéreas. A dívida da Vasp estaria em torno de R$ 857 milhões e, da Transbrasil, R$ 248 milhões.

Apesar dos problemas, Pereira mais uma vez se posicionou contra a desmilitarização do tráfego aéreo ou a duplicação do sistema de controle, com a instalação de radares militar e civil. "A desmilitarização não tem o poder de transformar algo em eficiente e seguro. O acidente teria acontecido do mesmo jeito. É preciso aumentar a eficiência e melhorar as condições de trabalho. É necessário formação de pessoal, criação de liderança. E há um problema salarial, sem dúvida."