Rio de Janeiro – Com o objetivo de "prevenir qualquer risco de uma falta de energia elétrica", o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, defendeu nesta segunda-feira (14) a realização de "uma ampla campanha de conscientização da população sobre o uso racional de energia", nos moldes da que foi feita em 2001, após o apagão.

Ele alertou que "o consumo maior de energia agora poderá gerar sérios problemas para a indústria, que fez uma mudança na sua matriz energética?. E explicou que a associação teme a maior demanda de gás após a colocação de usinas térmicas em funcionamento, o que afetaria diretamente o setor industrial.

?O governo deveria iniciar o mais rapidamente possível uma campanha, porque a população reage positivamente, como vimos em 2001, e dessa forma economizaríamos água, energia e gás, para não agravar a atual situação", disse.

Barbato lembrou a possibilidade de poucas chuvas neste ano, devido ao fenômeno climático La Niña: "Alguns estudos demonstram que a cada sete anos ocorre uma redução nos índices de precipitação". E também que o nível dos reservatórios das hidrelétricas está "abaixo do desejado para o período chuvoso".

Algumas indústrias eletroeletrônicas, destacou, são mais afetadas, como aquelas mais dependentes do gás ? fábricas de isolantes de porcelana e vidro, por exemplo ?, "porque a mudança do gás natural para o gás liquefeito de petróleo (GLP) poderá acarretar aumento de preço muito significativo nos produtos". O GLP, esclareceu, custa até 50% mais que o gás natural.

Sobre a perspectiva de importação do gás natural liquefeito (GNL) pela Petrobras, para regaseificação no país, Barbato disse que o produto da Argélia trará uma oferta adicional e "evitará problemas de abastecimento". A indústria eletroeletrônica, segundo ele, "tem feito o dever de casa, ao produzir equipamentos de mais baixo consumo de energia".