O trabalho de reconhecimento das vítimas do vôo 3054 da TAM, que se chocou contra o prédio da empresa perto do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, chega à fase mais difícil – analisar os corpos mais afetados. Até quinta-feira, mais sete corpos foram identificados e elevou para 86 o total de corpos reconhecidos, todos sem exame de DNA. Agora, a equipe do Instituto Médico-Legal começa a trabalhar nos casos mais difíceis. O diretor do Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul, Luiz Figueiredo Martins chegou ontem a São Paulo com objetos das vítimas e 55 perfis genéticos de parentes que tiveram sangue coletado em Porto Alegre.

Os sete corpos que foram identificados ontem exigiram o que os legistas chamam de ‘antropologia’, que é o estudo do comportamento das vítimas e a observação de roupas e objetos. Todos os parentes das vítimas foram convidados a assistir slides feitos a partir das imagens captadas pelo circuito interno de TV do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, no embarque do vôo 3054.

"Pude ver a roupa que ele usava, mas, aqui, não consegui reconhecer nenhum pertence", disse a psicóloga Adriana Schneider mulher de Luís Schneider, morto no acidente e cujo corpo ainda não foi identificado.

"É o trabalho mais difícil que já tivemos. Muitas vítimas estão calcinadas (transformadas em cinzas)", disse Hideaki Kawata, diretor-geral do IML. "É um cenário dantesco, como nunca vi em 30 anos", disse o presidente do CRM de São Paulo, Henrique Gonçalves.