Rio (AG) – A Igreja Universal do Reino de Deus perdeu espaço político nas câmaras municipais do país. Quatro anos atrás, a instituição comemorava os resultados eleitorais: os vereadores da Universal somavam 350. Em janeiro, apenas 70 tomarão posse. No Rio, em 2000, foram conquistadas pela Universal cinco das oito cadeiras ocupadas por evangélicos entre as 42 vagas de vereador da cidade. Em 2005, contudo, a igreja só comandará um dos quatro vereadores evangélicos cariocas: Lilian Sá (PL). Ela foi eleita com 24.200 votos, quase dois mil a menos do que teve em 2000.

No Estado do Rio, a redução foi de 32 para 16 vereadores fluminenses ligados à Universal. Em São Paulo, eram 80 e agora serão 12. Na Bahia, a bancada da Universal cairá de 20 para seis vereadores. Em Pernambuco, de 20 para quatro. E no Ceará, de oito para três representantes da Igreja Universal.

Tais números não significam exatamente uma perda de poder da Universal, opção religiosa de 1,24% dos brasileiros, segundo o Censo 2000. Traduzem, sim, uma intensa competição pelo voto entre as diversas correntes evangélicas do país.

“Mais que chegar ao limite de crescimento, a Universal passou a enfrentar a rivalidade de outras igrejas. E é no Rio que essa disputa é mais acirrada. Em 2002, por exemplo, havia dois candidatos evangélicos brigando por cada vaga da Assembléia Legislativa do Estado”, analisa a professora Maria das Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Coisa do passado

A representação parlamentar evangélica ganhou força com a Assembléia Nacional Constituinte, em 1987/88. A intenção era fortalecer a religião num país de católicos, lembra a professora Regina Novaes, do Instituto Social de Estudos da Religião (Iser).

A partir daí, evangélicos de diversas tendências e espalhados por diversos partidos disputam eleições com pelo menos duas plataformas em comum: a discussão das chamadas questões morais, como o aborto e a união civil de homossexuais, e a intenção de defender os interesses dessa minoria religiosa.