O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou nesta quinta-feira (01) uma carta enviada ao Ministério da Agricultura e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em que pede a análise de todas as marcas de leite comercializadas no País por laboratórios dos dois órgãos públicos. Laudos de amostras coletadas na semana passada, no primeiro dia da Operação Ouro Branco da Polícia Federal (PF), que investiga a adulteração do leite longa-vida, devem ficar prontos nos próximos dias.

O Idec pede ainda que os resultados das análises do leite apreendido sejam divulgados com maior agilidade. A entidade cobra dos órgãos do governo maior clareza nas informações prestadas à população.

Investigações do Ministério Público Federal (MPF) levaram à prisão 27 pessoas ligadas à Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), em Uberaba, e à Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, suspeitas de acrescentar ao leite soda cáustica (hidróxido de sódio) e água oxigenada (peróxido de hidrogênio) para dar mais volume ao leite e camuflar a má qualidade do produto.

Para Daniela Trettel, advogada do Idec, nada foi feito para acalmar os consumidores e esclarecer a situação. ?Oficialmente, a população ainda não foi comunicada pela Anvisa?, diz. A advogada cobra também que as informações das empresas envolvidas na fraude sejam feitas de forma ?séria? e não por meio de publicidade. ?Nossa preocupação é levar essa investigação para além do ponto atual e conseguir que se faça o mesmo em 100% do leite vendido?, afirma Daniela.

A mudança na fiscalização do ministério também é cobrada pelo instituto. A intenção é acabar com disparidades, como critérios de avaliação diferente para produtos vendidos no País e os exportados, muitas vezes submetidos a avaliações mais rigorosas.

Segundo o documento do Idec, essas mudanças devem ser estendidas a todos os produtos alimentícios e não só aos que apresentam problemas pontuais. ?O Idec sabe que existem muitos problemas nessas fiscalizações?, diz Daniela. ?Se outros alimentos forem testados, também vão apresentá-los.

A assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura informou que, pelo menos no caso do leite, mudanças entram em vigor já na próxima semana. A partir de segunda-feira (5), a fiscalização dos laticínios será feita com a presença de fiscais itinerantes. As empresas a serem fiscalizadas serão escolhidas por sorteio, o que deve diminuir a possibilidade de fraudes.

SELO – Nesta quinta-feira, a Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV) anunciou que vai lançar um selo de pureza do leite. ?A certificação, que pretendemos implementar em 2008 visa tranqüilizar o consumidor, garantindo que, dentro da caixinha, só existe leite puro?, explicou Laércio Barbosa, vice-presidente da ABLV.