Brasília

– O cargo de presidente do Banco Central deverá ser elevado à categoria de ministro, de acordo com projeto que está sendo elaborado pela Casa Civil. Com isso, Henrique Meirelles ganhará foro privilegiado e passará a responder a qualquer ação no Supremo Tribunal Federal (STF), da mesma forma que presidente da República, ministros, deputados e senadores. Hoje, ex-presidentes do BC que não tiveram essa regalia penam nas varas comuns da Justiça com enxurradas de ações, algumas delas insignificantes.

Além de ganhar foro privilegiado para se defender, Meirelles deverá receber um convite do Planalto para se filiar, no PT ou no PTB, em 2006, o que lhe daria a condição de disputar o governo de Goiás, na sucessão do governador Marconi Perillo (PSDB), daqui a dois anos, informa um articulador do Palácio do Planalto. “Meirelles tem prestígio e terá o PTB à sua disposição na hora quiser”, afirma o presidente do partido em Goiás, Jovair Arantes. “Fala-se muito que ele poderá ser convidado pelo PT, mas essa discussão ainda não foi feita”, comenta Neuza Maria Borges, secretária-executiva do PT goiano. Meirelles foi eleito deputado pelo PSDB. Convidado a ser presidente do BC, renunciou ao cargo e se desfiliou.

O PT e o PTB são aliados no governo federal e também em Goiás. Na busca da reeleição, o prefeito petista de Goiânia, Pedro Wilson, chamou para compor sua vice o deputado estadual Misael de Oliveira, do PTB. Dispensou, assim, a sua vice atual, Linda Monteiro (PPS). Mas, provisoriamente, a chapa de Pedro Wilson está impedida de se candidatar, por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que impugnou as duas candidaturas. Eles recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral.

No Planalto, as informações são de que o projeto está em fase adiantada. Poderia, por exemplo, basear-se na Medida Provisória 2.236-37, de 2001, baixada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso para dar a Gilmar Mendes, advogado-geral da União na época e hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a função de ministro.