Os críticos do livro “Por uma vida melhor”, que defende que a fala popular – inclusive com seus erros gramaticais – é válida na tentativa de estabelecer comunicação, adotam uma postura fascista, disse na manhã de hoje o ministro da Educação, Fernando Haddad.

“Há uma diferença entre o Hitler e o Stalin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stalin lia os livros antes de fuzilá-los. Ele lia os livros, essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”, afirmou Haddad, durante audiência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado.

Uma comissão formada por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprovou o livro “Por uma Vida Melhor”, da Coleção Viver e Aprender. O livro, que chegou a cerca de 484 mil alunos de todo o País, defende que a forma de falar não precisa necessariamente seguir a norma culta. “Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar os livro?’ Claro que pode”, diz um trecho.

O livro lembra que, caso deixem de usar a norma culta, os alunos podem sofrer “preconceito linguístico”. “Fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas”.

A Defensoria Pública da União no Distrito Federal entrou com ação pedindo que os exemplares sejam recolhidos das escolas públicas.