Brasília – O ex-presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, formalizou no Ministério da Justiça pedido de asilo territorial ao governo brasileiro. Agentes da Polícia Federal que acompanhavam Gutiérrez e seguranças de uma empresa contratada pelo ministério causaram grande tumulto na saída do ex-presidente, empurrando e ameaçando arremessar o carro que estavam contra os jornalistas, que esperavam o novo asilado na garagem do prédio. O despacho autorizando o asilo do ex-presidente, da mulher e da filha dele, Elza e Viviana, será publicado hoje, no Diário Oficial.
No encontro com Luiz Paulo Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça, o ex-presidente equatoriano perguntou se podia morar em qualquer estado brasileiro e dar palestras técnicas, segundo pessoas que estava na sala. Ouviu de Barreto que pode retomar a vida, desde que não se manifeste politicamente sobre assuntos internos e externos.
Gutiérrez pode ir para o Rio de Janeiro, onde já residiu antes de assumir o poder no Equador. Ele demonstrou, na audiência, estar confuso com a cidade de Brasília e ansioso em conseguir uma boa escola para a filha. O ex-presidente está, desde domingo, no Hotel de Trânsito dos Oficiais das Forças Armadas, no Setor Militar Urbano. O asilo concedido à família pelo Ministério da Justiça tem prazo de quatro anos, podendo ser prorrogado. Pela legislação, após seis anos de permanência, um asilado pode obter definitivamente o direito de viver no País. Até lá, o asilado só pode viajar ao exterior se receber autorização do governo.
Gutiérrez entrou e saiu do Ministério da Justiça pelo elevador privativo de autoridades, embora não seja mais chefe de Estado. O agente federal que dirigia o carro do ex-presidente chegou a dizer que não seria responsável, caso houvesse algum acidente com os repórteres que aguardavam a saída do ex-líder do Equador do prédio. O ex-presidente seguiu depois para o Hospital das Forças Armadas (HFA), onde visitou a mulher, internada por problema de disfunção hormonal. Elza Ximena Romero deverá ter alta hoje, segundo médicos do HFA.


