São Paulo

– O Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado – formado por procuradores da República, promotores de Justiça dos Estados e policiais civis – prepara uma megaoperação contra os proprietários das máquinas caça-níqueis instaladas em bares, padarias e lanchonetes. É a segunda etapa de um trabalho contra o crime organizado, que começou no mês passado com o combate à máfia dos bingos em vários Estados.

As máquinas caça-níqueis movimentam por dia muito dinheiro. Somente no Distrito Federal, o lucro dos grupos que exploram esses equipamentos passa dos R$ 40 milhões por ano. Em São Paulo, os caça-níqueis renderiam R$ 100 milhões por ano.

Os bicheiros são apontados como maiores exploradores das máquinas, em associação com grupos espanhóis e portugueses. O explorador da máquina fica com 60% do movimento bruto. O comerciante recebe 30%. Os outros 10% têm como destino o apostador. “A máquina sempre ganha, porque aquele que aposta vence às vezes a primeira rodada e perde no decorrer do jogo”, explicou um comerciante, que vendeu um bar onde tinha sido obrigado a instalar três máquinas. Ele afirmou ter sido uma imposição e não uma oferta com direito a “sim ou não”.

A maioria dos caça-níqueis vem da Espanha, da Itália e da Coréia do Sul. As máquinas que “engoliam” moedas de R$ 0,25 foram adaptadas e agora estão mais vorazes. Têm versões para as de R$ 1, além de notas de R$ 5 até R$ 50.

O Instituto de Criminalística do Distrito Federal analisou mais de 500 equipamentos apreendidos. Foram feitos mais de 2 mil testes e, segundo o perito criminal Jabes de Lima Ricardo, o jogador não tem como interferir no resultado. O laudo elaborado por Ricardo revela que o dono da máquina tem acesso a um mecanismo que determina a probabilidade de ganho do apostador.