Favoráveis à reorganização das escolas estaduais paulistas, um grupo de estudantes tem feito o caminho contrário aos protestos e promovido a desocupação das unidades. Desde setembro, quando a medida que prevê a separação dos colégios por ciclos (ensino fundamental anos iniciais, finais e ensino médio), o Movimento Ação Popular tem visitado unidades ocupadas por alunos ou “ameaçadas de invasão” para explicar a reorganização. De lá pra cá, eles garantem ter visitado 150 escolas, desocupado três e evitado a invasão de outros cinco.

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O grupo, composto em sua maior parte por jovens filiados ao PSDB e ligados à juventude tucana, foi criado este ano com o objetivo de “promover o protagonismo estudantil e lutar pela educação pública de qualidade”. É o que explica um dos coordenadores do movimento e estudante de História Roney Glauber Araújo de Vasconcelos, de 28 anos.

Apesar da ligação direta com o partido do governador paulista Geraldo Alckmin, responsável pela reorganização, o estudante garante que o movimento é apartidário. “Muitos são filiados, mas o núcleo é indiferente às posições do PSDB. Defendemos a reorganização e entendemos que é possível implementar o ciclo único. Não é possível que tenhamos alunos do ensino fundamental do primeiro ciclo, do segundo e adolescentes em um mesmo espaço”, defendeu.

Nesta quinta-feira, 174 colégios já haviam sido tomados por estudantes contrários à medida, segundo dados da Secretaria Estadual de Educação. Para o coordenador do Ação Popular, trata-se de um ato político. “Esses grupos de esquerda, a UJS, a Upes e a Umes falam que ninguém quer se abrir ao diálogo. Mas nós, como movimento estudantil reconhecido, vamos, e eles não aceitam o diálogo. Por que querem invadir a escola? Qual o motivo? Não tem motivo”, disse. Ele também fez críticas ao sindicato dos professores no Estado, a Apeoesp. “Estão usando professores e alunos para invadir escolas, mesmo onde não querem este tipo de paralisação”.

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Rede social

Além de realizar assembleias nas escolas ocupadas e em unidades que podem ser invadidas, o grupo também tem usado as redes sociais para divulgar suas ações e comentar as críticas à reorganização. Eles criaram uma página chamada “Devolve minha escola”, que até às 16h desta quinta-feira já atingia 1.163 curtidas. A ideia é fazer uma contraposição a outras como a “Não fechem a minha escola”, que divulga notícias sobre as ocupações. A página já foi compartilhada até pelo chefe de gabinete da Secretaria de Educação Fernando Padula.

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No espaço, já foram compartilhadas críticas irônicas ao prefeito Fernando Haddad (PT), com memes como “ainda bem que não tem creche pra ocupar”, referindo-se ao déficit de vagas nas creches paulistanas, e aos comentários do deputado federal Ivan Valente (Psol), que tem repudiado a reorganização em sua página no Facebook.