Cuzco – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso duro ontem no encerramento da 17.ª Reunião do Grupo do Rio, afirmando que os países da América Latina não podem aceitar os subsídios agrícolas impostos pelos países mais desenvolvidos e o protecionismo disfarçado. “Na OMC (Organização Mundial do Comércio) e em vários fóruns defenderemos com convicção e firmeza o maior acesso às nossas exportações. Não podemos aceitar subsídios agrícolas milionários e um protecionismo disfarçado que nos roubam mercado e nos impedem de colher os frutos do nosso trabalho. Esperamos que o G-8 ampliado seja um sinal de que nossa voz venha a ser ouvida e de que os países ricos estejam finalmente dispostos a mudar seu comportamento”, disse Lula.

O presidente falou ainda que ele e o presidente do México, Vicente Fox, levarão ao G-8 ampliado, que vai se reunir na França, a mensagem do Grupo do Rio de que é necessário crescimento econômico com justiça social na América Latina. Segundo ele, os países desenvolvidos têm uma parcela de responsabilidade para que a globalização acabe com problemas como o da fome.

Lula disse que que espera que a reunião do G-8, convocada pelo presidente da França, Jacques Chirac, “seja um sinal de que nossa voz será ouvida e que os países ricos estarão dispostos a mudar seu comportamento, de modo que o livre comércio se torne uma via de mão dupla”. “É, portanto, com confiança, e acredito falar em nome do presidente Fox, que levaremos a Evian uma mensagem forte por maior justiça e equilíbrio, que emanou desta cúpula de Cuzco”, disse o presidente brasileiro, que foi aplaudido.

O G-8 se reunirá em Evian, Leste da França, de 1.º a 3 de junho. No discurso de encerramento, o presidente Toledo disse que o Grupo do Rio “expressava todo seu apoio” tanto ao México como ao Brasil e que o coletivo regional “se sente bem representado”. A fortaleza de Sacsayhuamán, em Cuzco, foi o cenário do encerramento do encontro de dois dias, que reuniu chefes de Estado e representantes dos 19 países do Grupo do Rio.