O diretor do Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Fiesp) em Santos, Ronaldo Forte, alertou nesta terça-feira (22) para o risco de o país entrar num movimento de retrocesso no mercado mundial e reverter o aumento de 1,2% de sua participação global, devido ao impacto da greve dos auditores fiscais na área produtiva. A paralisação já dura 34 dias.

Segundo ele, o setor industrial também começa a se preocupar com o novo sistema de rodízio de caminhões em São Paulo. A medida, que entrará em vigor em maio, afetará o trânsito de mercadorias rumo ao Porto de Santos, disse Ronaldo Forte, ao citar dados da Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, indicando que cerca de 400 caminhões cruzam os pedágios diariamente.

Com as restrições de circulação, pode haver acúmulo desses veículos, com viagens em horários antecipados, acrescentou Forte Isso pode truncar o fluxo, tanto nas rodovias quanto em Santos, disse ele, referindo-se aos congestionamentos nas vias e no terminal de cargas.

De acordo com o diretor do Ciesp, na reunião desta terça-feira (22) do Comitê de Infra-Estrutura e Logística, em Santos, o assunto chamou mais atenção que os efeitos da greve dos auditores, mas isso significa que tenha-se reduzido a preocupação do setor com os impactos da paralisação. Ele ponderou que concorrentes do país no mercado internacional poderão aproveitar o episódio para ganhar espaço onde o Brasil deixou de suprir, por dificuldades no escoamento das exportações.

A greve dos auditores entrou num impasse: eles rejeitam a proposta do governo de reajuste gradual até 2010 para chegar equiparação com os delegados da Polícia Federal (teto no Executivo, com salário em torno de R$ 20 mil). O governo alega limitação orçamentária para não atender o pedido dos auditores que querem antecipar o cronograma para 2009.

Nota divulgada nesta terça-feira (22) pelo presidente do Unafisco Sindical, Pedro Delarue, diz que o cronograma do governo para implantação do reajuste também tem levado a atrasos na resolução das negociações. "O governo insiste em um calendário de reajustes com término em julho de 2010, enquanto os auditores fiscais reivindicam que a data final seja abril de 2009." Delarue afirma na nota, que o entendimento depende da boa vontade do governo, e não apenas da categoria.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reiterou nesta terça-feira (22), em São Paulo, que o governo não tem como avançar e disse acreditar em volta ao trabalho ainda nesta semana. Nossa expectativa é que após a decisão da Justiça, determinando o corte do ponto, fique demonstrado que não podemos avançar do ponto de vista econômico e tenhamos um acordo. Só no setor eletrônico, envolvendo produtos de imagem e som, além de componentes, a greve já causou prejuízos estimados entre US$ 120 milhões e US$ 150 milhões, segundo cálculos apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O valor refere-se a redução da produção, perdas com faturamento e multas por atrasos no cumprimento de contratos. Os dados foram apresentados na semana passada, em Brasília, pelo presidente Abinee, Humberto Barbato, em reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.