Governo tenta manter PMDB na base aliada

Brasília (AE) – O governo está se mobilizando para impedir que o PMDB saia de sua base de sustentação no Congresso. Antes de embarcar em viagem oficial para o Cairo ontem à tarde, para participar do funeral do líder palestino Yasser Arafat, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, telefonou a cada um dos principais líderes peemedebistas para dizer que o governo não abre mão da parceria com o partido.

Além disso, o governo escalou o presidente do PT, José Genoino, para fazer uma peregrinação no Congresso reafirmando aos líderes e dirigentes nacionais do PMDB o interesse do PT em ter a legenda como parceira no governo de coalizão e em projetos de poder nos estados.

“O PT lutará para que o PMDB continue integrando a base de apoio do governo. Queremos trabalhar com o PMDB, e estamos abertos a dialogar sobre quais estados são importantes para o partido em 2006”, repetiu Genoino a cada interlocutor, ao lembrar que as duas legendas estiveram juntas na disputa eleitoral em mais de 700 municípios.

Genoino visitou o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), os líderes na Câmara, José Borba (PR), e no Senado, Renan Calheiros (AL), e também o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). O discurso do petista foi considerado um bom início de conversa. “Ficou claro que o PT e o governo consideram a presença do PMDB na base como estratégica para a governabilidade”, disse Renan, ao destacar que cabe ao governo “dar segurança política” ao PMDB como partido estratégico no governo de coalizão. “E não há como falar de coalizão e aprimorar a aliança sem que tenhamos um foco definido que é 2006”, completou o líder, ao deixar claro que seu partido quer ser o parceiro preferencial do PT e do governo não só na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como em seus projetos de poder nos estados em que considera fundamental reeleger seus governadores.

Em cada conversa, Genoino insistiu que o PT considera muito importante ter o PMDB como parceiro no governo de coalizão. E para aplacar as mágoas do período eleitoral, a começar pelo presidente do partido que o PT paulista recusou como vice na chapa da prefeita Marta Suplicy, Genoino deu sinais claros de sua disposição para rever o tratamento dispensado aos aliados nos estados. “Se há problemas, vamos superá-los. Estamos abertos a ouvir críticas, fazer avaliações e, se for necessário, correções”, afirmou o petista, ao destacar que a legenda quer se “aperfeiçoar como partido aliancista”.

Rebelo foi o primeiro a combater crise

O primeiro representante do governo a entrar em ação para administrar a crise no PMDB foi o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Mal terminara a reunião nacional dos peemedebistas na tarde de anteontem e o ministro Aldo já havia convidado para uma conversa reservada à noite, em seu apartamento, os principais representantes da ala governista – os ministros Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência Social), os dois líderes na Câmara e Senado e os deputados Jader Barbalho (PA) e Henrique Alves (RN).

Segundo um dos convidados do ministro Aldo, os peemedebistas aproveitaram o encontro para reforçar a gravidade da situação e a necessidade de o presidente Lula dizer o que quer do PMDB. E repetiram que o partido quer ser institucionalmente respeitado, assegurando a liberdade de escolher seu candidato a presidente do Senado.

Reeleição

Afinal, destacaram, a proposta de reeleição para os presidentes da Câmara e do Senado já foi recusada pela executiva nacional por 12 votos contra apenas dois favoráveis à tese.

Os dirigentes do PMDB também insistiram que os descontentes têm razão quando se queixam de que o governo dispensa à legenda tratamento de “partido de segunda classe”. Garantiram que o rompimento não é o que quer, hoje, a maioria do partido, mas advertiram que o governo pode empurrar o PMDB como um todo para a oposição. E avisaram que, neste caso, a governabilidade estará comprometida, ainda que o governo use o velho método do fisiologismo para cooptar duas ou três dezenas de deputados.

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