Governo se assustou com o aliado

Brasília – O governo começou a reavaliar a idéia de aliança com o PMDB para as eleições de 2006, defendida no fim de semana pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu, durante encontro dos petistas afinados com a administração federal. A instabilidade do partido – registrada também no Senado, onde, na Comissão de Infra-Estrutura, senadores da legenda rejeitaram anteontem (12) a indicação do nome do engenheiro José Fantine para comandar a Agência Nacional de Petróleo (ANP) – pode custar à sigla a parceria ainda embrionária com o PT.

Na ocasião, Dirceu disse que a proximidade é fundamental para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com um ministro muito influente no Poder Executivo, se na Câmara ninguém podia contar com o PMDB, no Senado, essa realidade começa também a tomar corpo. O Executivo não sabe com qual PMDB pode contar porque uma parte está com Lula, outra, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e uma terceira não tem compromisso com ninguém, raciocina.

Assim, indaga, como o PT pode ter na chapa majoritária uma agremiação que não se entende e que não consegue ter um mínimo de estabilidade? Mas não é só o PMDB que preocupa o Palácio do Planalto. As idas e vindas de outros partidos aliados também são visíveis. O PMDB tem cinco senadores na Comissão de Infra-Estrutura. A derrota ocorreu por 12 votos a 11.

Portanto, outros sete parlamentares também votaram contra a indicação de Fantine. Como as legendas de oposição não têm tantos senadores, outros da base do Planalto bandearam para o lado de lá. ?Não restam dúvidas de que outros partidos de nossa base também traíram?, disse o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS).

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