Brasília (AE) – Símbolo da moratória da década de 80, o C-Bond, o mais famoso título da dívida externa brasileira, será retirado do mercado internacional. O Tesouro Nacional anunciou ontem, em curto comunicado ao mercado financeiro, que está avaliando a oportunidade de realizar em breve uma operação de troca de papéis para tirar o C-Bond do mercado. Com a operação, o Tesouro resgata os C-Bonds que estão nas mãos dos investidores internacionais, que recebem em troca um novo papel da dívida externa.

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?Esperamos fazer a operação em breve?, disse o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, José Antônio Gragnani. Segundo ele, após ter concluído o cronograma de captação de recursos externos previsto para este ano, o Tesouro pode agora pensar em operações que visam a melhorar a estrutura de pagamentos da dívida externa. Pelo cronograma, o Tesouro tinha de captar no exterior US$ 6 bilhões para honrar os seus compromissos com o pagamento da dívida externa em 2005. A estratégia foi concluída em junho, quando o Tesouro captou US$ 600 milhões em bônus com prazo de vencimento em 2015.

Mesmo com a marca da moratória, o C-Bond foi por muitos anos o papel brasileiro com maior liquidez do mercado internacional dos países emergentes. Nos últimos dois anos, vem perdendo o posto para o Global 40, papel com vencimento em 2040. O C-Bond é um dos sete títulos chamados ?bradies? utilizados na operação de renegociação da dívida externa brasileira, concluída em 1994 e resultante da moratória brasileira. Como é um papel originário de um ?default?, muitos fundos e seguradoras internacionais não podem adquiri-lo.

O estigma da moratória não impediu, no entanto, que o C-Bond ganhasse liquidez no mercado internacional ao longo dos anos. Hoje, estão no mercado cerca de US$ 5,6 bilhões desses papéis. A maior parte está na mão de investidores americanos e europeus. O Tesouro não informa quanto pretende trocar, mas preferiu anunciar a sua intenção dentro da política de assegurar maior transparência aos investidores.

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