A licitação das linhas de transmissão entre as térmicas de co-geração e a rede de distribuição, avaliada pelo governo, pode acabar com a polêmica entre as usinas sucroalcooleiras e as companhias de distribuição de energia elétrica e aumentar a oferta para o leilão de biomassa, previsto para os dias 20 e 21 de maio. A proposta, encaminhada pelo setor produtivo, é avaliada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e, de acordo com a assessoria do órgão regulador, ainda não há um relatório final sobre o assunto.

A proposta é que o governo siga as mesmas regras dos grandes leilões de energia, como o da Usina Santo Antonio, cujo produtor irá pagar para utilizar a linha de transmissão feita por outro empreendedor, escolhido por meio de um processo público do governo. "Nosso negócio é co-gerar e o da distribuidora é distribuir a energia. Não temos experiência em transmissão", resumiu o diretor da área de bioeletricidade da Crystalsev, Celso Zanatto.

O executivo lembra que uma minoria das usinas e destilarias entre as 118 que irão participar do leilão de biomassa de maio tem a geração ligada à rede. "O maior problema é que se as usinas forem obrigadas a fazer essas linhas de transmissão, além de investirem na construção e na desapropriação, terão de doar todo o empreendimento depois à distribuidora e ainda pagar pelo uso. Não tem sentido", afirmou.

Já o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, considera que a falta de definição do governo para a questão das conexões das térmicas a biomassa ocorre porque há no Brasil uma "monocultura hidrelétrica". Segundo ele, a indefinição, que também ocorre na falta de incentivos para a modernização das caldeiras nas usinas, pode prejudicar as previsões sobre a expansão da fatia dessas térmicas na matriz elétrica. As estimativas apontam que dos atuais 3% da matriz a energia co-gerada salte para 15% em 2015.