Genoíno: pressão cada vez mais forte.

Brasília – Os prognósticos de aliados do governo e de senadores de oposição apontam para a rejeição do salário mínimo de R$ 260,00 no Senado, caso esse valor seja aprovado pela Câmara. “No Senado está muito difícil passar e a pressão é mais forte que a cobrança dos inativos”, afirmou o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), um aliado do Palácio do Planalto. “Está difícil para mim”, completou o senador. A situação mais delicada é no PMDB, o maior partido da base governista.

Pelos cálculos dos próprios peemedebistas, dos 22 senadores, cinco votarão contra a Medida Provisória (MP) que estabeleceu os R$ 260,00 por estarem insatisfeitos com o governo e outros cinco votarão por posição política como Pedro Simon (RS), Mão Santa (PI), Papaleo Paes (AP), Sergio Cabral (RJ) e Ramez Tebet (MS). “Se o governo não fizer força pode perder aqui”, previu Tebet.

A idéia do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) é fazer uma reunião da bancada na próxima semana para discutir o assunto que ainda está tramitando na Câmara. Para senadores do PMDB, quanto mais se aproxima das eleições municipais mais dificuldades o governo terá para aprovar o mínimo de R$ 260,00 no Senado.

A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), no entanto, está otimista, mas preferiu não fazer prognósticos. “No Senado tudo é difícil, mas tudo que era difícil passou aqui”, disse. Já os líderes do PFL, senador José Agripino (RN), e do PSDB, Arthur Virgílio (AM), não pensam assim. “Um governo fragilizado perde a condição de impor”, afirmou Agripino, lembrando que a posição desfavorável no PMDB dificulta a posição do governo no Senado.

Enquanto isso, na Câmara, um grupo de 22 parlamentares do PT reuniu-se ontem com o presidente da legenda, José Genoino, para exigir um esforço extra do governo para elevar o salário mínimo para além dos R$260 definidos pelo presidente Lula no final de abril. A reunião do partido que tentaria impor às bancadas a obrigatoriedade de se votar o valor do mínimo fixado pelo governo acabou adiada esta tarde.

O grupo pediu a Genoino que agende uma reunião entre os líderes deste grupo e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci e o próprio presidente Lula. Os parlamentares, 21 deputados e uma senadora, disseram a Genoino que não pretendem votar contra o governo, mas podem usar este recurso se não houver negociação entre as partes.

O PT tem 90 deputados na Câmara e a unidade do partido será fundamental para aprovar o valor proposto pelo presidente da República.