Brasília – O segundo escalão do Ministério da Saúde, disputado com ardor por aliados do governo, começou a ser preenchido ontem. O ex-ministro Agenor Souza foi indicado pelo governo para exercer o cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e agora terá de ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado para poder tomar posse do cargo, desocupado há cinco meses.

Funcionário do ministério há anos, Agenor foi alçado a secretário-executivo quando o PMDB, com Saraiva Felipe, tomou posse do ministério. Depois da saída de Felipe, Agenor assumiu o cargo. Mas por muito tempo disse ser apenas ?ministro interino?. Na Anvisa, outro cargo de diretor continua vago, aguardando também uma indicação do governo.

A longa espera não é inédita. No primeiro ano do governo Lula, cargos na diretoria da agência demoraram a ser ocupados por conta da negociação política. A demora não passou despercebida e logo veio uma enxurrada de críticas por se usar os cargos da agência para abrigar apadrinhados políticos.

A mesma crítica foi feita com relação à Funasa. Não apenas na coordenação central, mas nos postos espalhados pelo País. Com a chegada do PMDB à Saúde, a Funasa foi assumida por Paulo Lustosa, que nunca escondeu a sua preferência por assumir a direção da Anatel. E , mesmo na direção da Funasa, manteve os esforços para mudar de agência. Com o tempo, se conformou. Mas não foi difícil tal adaptação. Com mudanças feitas pelo ex-ministro Humberto Costa, a Funasa passou a ter minguados poderes. Os recursos, porém, mantiveram-se polpudos. Como o próprio Lustosa definiu, uma ?máquina de fazer votos?. Com orçamento de R$ 1,5 bilhão para este ano, a fundação tem como atribuição cuidar do saneamento e da saúde indígena.