Brasília – O líder do PSDB no Senado Arthur Virgílio anunciou que ainda não há acordo com o governo para a aprovação da prorrogação  da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Para ele, o governo precisa, "nos próximos momentos", melhorar as propostas, entre elas a isenção da CPMF para a população de baixa renda.

"Esperamos que o governo seja capaz de apresentar nas próximas horas algo mais substancial. Vamos para a reunião da bancada, que está bastante agitada, inconformada com os rumos da negociação, que o governo tem tocado a passo de cágado. Vamos argumentar com ela e ouvir", afirmou.

Acompanhado pelo senador Tasso Jereissati, presidente do partido, Virgílio participou de uma reunião de quase três horas, convocada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega,  para discutir reivindicações dos tucanos em troca da aprovação da prorrogação contribuição.

Segundo ele, o governo propôs uma série de desonerações, que serão "quantificadas" pelo partido, e também demonstrou a intenção de isentar do pagamento da CPMF quem tem renda de até R$ 4.340,00 (abatidos da cobrança do Imposto de Renda).

Ele também calcula que a desoneração nesse caso é "ínfima" diante do que pode ser arrecadado pelo governo nos próximos anos.

"Levamos em consideração o impasse político da reforma tributária e levantamento da análise global,  dissemos com clareza que isso ainda é nitidamente insuficiente para comover o PSDB", disse.

O senador afirmou também que o partido quer caminhar na direção da redução dos gastos públicos e da carga tributária. "Entendemos que um governo que vai receber, em três anos, R$ 160 bilhões de CPMF está desonerando e metendo muito pouco a mão no [próprio] bolso e muito forte no bolso do contribuinte", disse.

Na verdade, cálculos preliminares do governo mostram que pode ser arrecadado com a CPMF algo próximo de R$ 160 bilhões em quatro anos. 

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-PE), disse que a proposta foi no limite do que tinha que apresentar, o PSDB achou pouco e deve fazer uma contraproposta, já que se trata de um processo de entendimento. Ele admitiu, porém, que há mais espaço para discutir o assunto com os tucanos.

"Há espaço para mais conversa. Os procedimentos não estão ainda no momento de ser votados no plenário, portanto, vamos caminhar nas comissões. Haverá uma longa caminhada até a votação em plenário, e esperamos que até lá tudo esteja resolvido", informou Romero Jucá.

Por volta das 15h30, o ministro Guido Mantega dá entrevista coletiva para falar sobre as negociações desta terça-feira (6) com os tucanos.