Brasília – O porta-voz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, André Singer, divulgou nota oficial manifestando “profunda indignação” com a reportagem publicada pelo jornal norte-americano The New York Times, a qual foi qualificada de jornalismo marrom.

Na nota, o governo afirma que o correspondente da publicação, Larry Rohter, “inventou uma suposta preocupação nacional” com hábitos do presidente da República “para dar vazão a um amontoado de afirmações ofensivas e preconceituosas”.

Em outra linha de ação, o governo define as medidas judiciais que vai adotar em uma reunião do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com o advogado-geral da União, Álvaro Augusto Ribeiro. “O artigo do jornal é agressivo e, de jornalismo, não tem nada”, disse Bastos. “É algo feito como se fosse para demolir a imagem de uma pessoa”, completou.

Mas, se confirmar sua intenção de processar o New York Times, o Planalto terá de fazê-lo no Brasil. “São inexistentes as chances de uma queixa por calúnia e difamação desse tipo contra o jornal americano ser acolhida pela Justiça dos Estados Unidos”, disse à reportagem o juiz federal Peter J. Messitte, do Estado de Maryland.

O governo também informou, por meio da nota, que já orientou o embaixador brasileiro em Washington a procurar o The New York Times para “transmitir a indignação e a surpresa do governo brasileiro pela veiculação de insultos gratuitos ao presidente da República”.

Repúdio

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), concordou com a proposta da líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), de que seja aprovado hoje, no plenário da Casa, um voto de censura ao jornal The New York Times pela publicação de um artigo de seu correspondente no Brasil, Larry Rohter, acusando o presidente Lula de abuso de bebida. O assunto dominou a sessão de hoje do Senado. Pela primeira vez, o presidente Lula recebeu total solidariedade da oposição.

O vice-presidente da República, José Alencar, disse ao deixar o fórum do PL, na Câmara, que a reportagem do New York Times publicada neste fim de semana, afirmando que o excesso de bebida estaria prejudicando a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é um desrespeito. “É uma ignomínia. O presidente Lula é um homem de bem, e todos nós, brasileiros, temos de nos revoltar”, afirmou Alencar.

A matéria, publicada na edição de domingo do matutino norte-americano e reproduzida desde sábado à tarde em sites brasileiros, reúne insinuações que circularam na imprensa nacional e um depoimento do presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Leonel Brizola, para construir a tese de que um suposto convívio excessivo com bebidas alcoólicas tem prejudicado o desempenho do presidente Lula.