A secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Jandira Feghali, criticou diretamente o curador do Projeto Hélio Oiticica e sobrinho do artista, César Oiticica Filho, conhecido no meio artístico como Cesinha. “Na minha opinião, nós perdemos um acervo por uma atitude fechada do herdeiro, particularmente. A gente conversou foi com o sobrinho”, disse, referindo-se a César Oiticica Filho.

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Na opinião da secretária, falta um marco regulatório no País que dê maiores condições ao Estado de dar acesso público e cuidar de obras de artistas mortos. Pela legislação atual, as obras são propriedade privada dos herdeiros dos artistas e seu uso depende de autorização deles.

“Meu lamento é profundo, até porque tentamos que fosse de outro jeito. Eu pessoalmente conversei com o sobrinho dele para a gente ter a cessão do acervo para o Centro Hélio Oiticica, por comodato. A gente não tem orçamento para comprar US$ 200 milhões. Poderiam não ceder todo o acervo, mas uma parte. Há que haver uma nova forma de lidar com isso e aí é uma legislação nacional”, afirmou a secretária.

Por contrato realizado na gestão do ex-prefeito Cesar Maia, já vencido e não renovado, o Projeto Hélio Oiticica ficaria abrigado no Centro Municipal Hélio Oiticica, nas imediações da Praça Tiradentes, e receberia R$ 20,5 mil por mês. De acordo com Jandira, “não era o projeto que recebia R$ 20,5 mil por mês. Era o Cesinha, que montou um escritório privado num espaço público e recebia para ele. Essa relação do Cesinha com a gestão anterior é no mínimo polêmica e obviamente não pudemos manter. O acervo não estava lá desde 2002”, disse.

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“Ele recebia em nome de um projeto que não se cumpria”, disse. “Ela (Jandira) está tentando fugir das responsabilidades que são dela por não renovar o contrato”, respondeu por e-mail César Maia.

Procurado pela reportagem, César Oiticica Filho disse que, se a declaração de Jandira fosse publicada, ele processaria a secretária. “É impressionante como ela mente. Ela tem o contrato com o Projeto Hélio Oiticica”, disse. Afirmou que o Projeto Hélio Oiticica gasta muito mais que R$ 20 mil por mês, sendo R$ 8 mil apenas para Museologia e Pesquisa. Também disse que o Projeto fez exposições históricas no Centro que tinha proposto um programa para continuidade da exposição e a Secretaria não aceitou.

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Oiticica Filho ironizou a declaração da secretária de que na França, por exemplo, o Estado tem prioridade na compra da obra quando um artista morre: “Quem dera que o Brasil fosse como a França. Acredito que a Jandira quase nunca deva ir a exposições de artes plásticas”. Também alfinetou: “a primeira ação de Jandira no Centro foi demitir a museóloga e até hoje não colocou ninguém para o lugar”.