Brasília – A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) se reúne segunda-feira para fechar questão a favor da Medida Provisória que fixa o salário mínimo em R$ 260. Essa decisão deverá ser seguida pela bancada do partido na Câmara e no Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou com os líderes dos partidos aliados a votação da MP do mínimo para a última semana de maio, quando ele retorna de sua viagem à China.

“Vou defender o mínimo de R$ 260 e confio que a Executiva vai aprovar. Todo mundo vai berrar, vai gritar, vai dizer que é pouco e eu vou concordar. Mas depois, a gente aprova os R$ 260”, afirmou o presidente nacional do PT, José Genoino. “A bancada tem de compreender que o valor é baixo, mas foi dado o reajuste que era possível”, completou.

Porém, deverão ocorrer dissidências tanto na bancada da Câmara quanto na do Senado, de parlamentares petistas que votarão contra o mínimo de R$ 260, como é o caso do senador Paulo Paim (PT-RS).

O líder do governo na Câmara, deputado professor Luizinho (PT-SP), conversou anteontem à noite por telefone com o presidente Lula sobre a votação da MP do mínimo. A estratégia é dedicar a semana que vem para as discussões na base aliada sobre o mínimo, com a ida de ministros ao Congresso para explicar que não há condição de dar um aumento superior aos R$ 260. “O presidente Lula ficou muito contente com a reunião que fez com os líderes aliados sobre o mínimo. Ele lembrou que o novo mínimo representa o maior poder aquisitivo dos últimos dez anos”, disse Luizinho.

As dificuldades do governo para aprovar o mínimo de R$ 260 deverão, no entanto, ser muitas. Além da dissidência de alguns petistas, o governo também deverá apresentar defecções em todos os partidos da base aliada.

O líder do PMDB na Câmara, José Borba, já convidou o ministro da Previdência, Amir Lando, para falar sobre o assunto com a bancada na próxima semana. “Quero que o ministro participe da reunião com a bancada para que ele ajude a construir um convencimento dentro da bancada de que R$ 260 é o salário mínimo que foi possível dar. Quando a gente trabalha com os números fica mais fácil esse convencimento”, observou Borba.