Governabilidade aproxima PMDB do PT

O PMDB está a cada dia mais próximo do PT. Não por interesse fisiológico, de manter seus postos de poder no Executivo federal e no Congresso nem por patriotismo, mas em defesa da governabilidade.

Dirigentes peemedebistas concluíram que a proximidade do novo governo é fundamental para garantir a sobrevivência da legenda, no tamanho que as urnas lhe conferiram. Motivo: esta seria a única forma de preservar o partido da ação predatória de outras legendas, especialmente o PL.

Também pesam, e muito, na direção do PMDB, a contabilidade eleitoral e sua repercussão na costura da unidade partidária. “Não podemos esquecer que em 12 Estados o PMDB já fez sua campanha junto com o PT, votando Lula”, lembra o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL). Isto sem falar na conveniência dos cinco governadores eleitos ou reeleitos pelo partido, que podem engordar esta conta. Se dois deles (SC e PR) já estão computados na dúzia inicial, porque apoiaram a eleição do candidato presidencial petista, os outros três (RS, DF e PE) certamente apostam nas boas relações com o governo eleito para facilitar-lhes a vida na administração estadual.

“O único caminho possível para se trabalhar a unidade do PMDB hoje é ajudando a dar governabilidade à administração do presidente Lula, ainda que pontualmente, em cima de uma agenda pré-definida”, admite o líder Renan. Se por um lado as urnas praticamente dizimaram os rebeldes do PMDB do B, a cúpula governista do partido não pode ignorar que os dissidentes ganharam fôlego nos Estados em que se atrelaram ao PT.

E se não dá para falar em unidade partidária e sair na contramão de 15 regionais, também não há quem tenha dúvidas da dificuldade de se manter a tropa unida na oposição ao PT, em qualquer circunstância. Afinal, trata-se de um partido habituado a partilhar o poder com o governo federal há 17 anos, desde os tempos do presidente José Sarney. Embora a cúpula do partido e o próprio Renan insistam em dizer que não querem nem falar em cargos no governo Lula, todos apostam na proximidade do PT para barrar a cooptação do PL.

Que o diga o PFL, já nervoso diante da ameaça do PL. Enquanto o senador eleito Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) falava hoje em “oposição construtiva”, outro pefelista revelava que o presidente nacional do partido, Jorge Bornhausen (SC), não tem “a menor ilusão” com o governo Lula. “Ele sabe que o poder atrai e que o PL vai partir com tudo para cima da gente, para reforçar a base do governo do PT no Congresso”, conta o pefelista.

Bem diferente da cúpula do PMDB, que diz estar tranqüila desde o encontro da semana passada com a direção nacional petista.

“Vamos aguardar que o PT se movimente, porque o momento é do presidente Lula. Não temos pressa”, diz Renan Calheiros. O líder do PMDB diz que a conversa, mais do que o acordo entre os dois partidos na partilha das presidências da Câmara e Senado, deixou claro que seu partido terá papel fundamental na sustentação política do novo governo nas duas Casas do Congresso.

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