Brasília – O ex-presidente do PT José Genoino negou, na CPMI do Mensalão, que o partido tenha comprado votos no Congresso ou participado de qualquer esquema para obter apoio para o governo nas votações. Genoino disse também que não cometeu crime ou irregularidade enquanto esteve na direção do partido e acrescentou que não é fácil depor, lembrando que como deputado já esteve interrogando testemunhas em outras comissões.

"Estou aqui sem raiva, com humildade e de cabeça erguida, consciente de que não cometi crime e não pratiquei irregularidades na presidência do PT", afirmou o ex-deputado. Segundo o ex-presidente do PT, o partido não assumiu qualquer tipo de risco para ganhar disputas políticas. "Não fomos para o vale-tudo para governar. Não fizemos o vale-tudo na economia, na política externa, nem no Congresso para negociar uma agenda complexa e difícil. Não corremos qualquer risco para governar. Sempre estamos correndo riscos, mas não no vale-tudo", afirmou o ex-deputado. "Quero deixar claro que isso nunca existiu por parte do PT: compra de apoio com dinheiro para aprovar a agenda legislativa do governo no Congresso Nacional", completou.

Genoino disse que o PT era autônomo em relação ao governo, embora tivesse o papel de "coluna vertebral de sustentação": "Se houve erros ou acertos nessa autonomia, estamos dispostos a avaliar neste momento de debate", disse. O ex-presidente do PT afirmou que se manterá afastado da vida pública do País e que não voltará a se candidatar a cargos no comando do PT. Segundo ele, a decisão de deixar a executiva nacional do partido foi política e de caráter pessoal. "Ficarei na condição de militante", declarou.

Genoino disse que não tem arrependimentos de atos cometidos durante sua gestão na presidência do partido. Genoino diz que o passado lhe dá apenas lições e aprendizados: "Essa questão de arrependimento não existe. A gente tira lições e aprendizados, como o tamanho da campanha, o papel do marketing em detrimento da militância, várias questões políticas o PT tinha que ter cuidado melhor", disse.

Genoino disse que queria mandar um recado para a militância do partido: "Eu tenho uma avaliação otimista. Não tranqüila, mas otimista. Sempre dizer para os militantes do PT que sua história, os 830 mil filiados, tudo isso é maior do que esse ou aquele dirigente, esse ou aquele erro".

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) não fez perguntas ao ex-presidente do PT José Genoino na CPMI do Mensalão, mas aproveitou os dez minutos a que tinha direito para exaltar a trajetória política do depoente. Mercadante, porém, também fez críticas à maneira como Genoino conduziu o partido durante sua gestão.

Coronel da ditadura aparece na CPMI para irritar

Brasília – O depoimento do ex-presidente do PT José Genoino na CPMI do Mensalão foi interrompido por um episódio que revoltou a bancada petista e recebeu repúdio de parlamentares de diversos outros partidos, inclusive da oposição. O deputado Jair Bolsonaro (PFL-RJ) levou à sessão, como seu convidado, um coronel que teve participação na prisão de Genoino durante a ditadura militar.

Embora o presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), tenha pedido para o militar deixar a sala de forma ordeira, houve confusão na saída e o depoimento teve de ser interrompido, enquanto o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) formulava suas perguntas. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) pediu a palavra para expressar sua revolta: "Isso jamais poderia ter acontecido, quero expressar meu protesto pelo deputado Jair Bolsonaro ter trazido aqui um coronel que teve participação na prisão do companheiro Genoino. Isso não humilha a ele (Genoino), porque ele tem como explicar tudo o que fez, isso humilha essa CPMI", disse.

O senador Amir Lando também criticou o episódio. "Quero deixar claro que eu não poderia imaginar de quem se tratava. Quando soube, pedi que saísse imediatamente sem criar tumulto. Infelizmente isso aconteceu." As críticas ao deputado Jair Bolsonaro, que convidou o coronel para a sessão, partiram também de parlamentares da oposição, como o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que exprimiu repúdio à tortura. Em seguida, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) pediu a palavra e revelou que o próprio senador Arthur Virgílio foi quem a alertou para a presença do coronel na sessão. A senadora também criticou o episódio.

"Foi uma ostensividade agressiva a essa CPMI e à história política de José Genoino. Esse comportamento afrontoso, para causar constrangimento, é inadmissível", declarou.