As despesas da Previdência Social aumentariam em R$ 4,5 bilhões somente neste ano se todas as aposentadorias, pensões e auxílios de valores superiores ao piso previdenciário fossem corrigidas pelo mesmo índice de reajuste aplicado ao salário mínimo. O cálculo foi levado pelo governo aos senadores como argumento contrário ao projeto que estabelece a indexação dos benefícios ao mínimo. No entanto, por votação simbólica, o Senado aprovou a proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) na noite de quarta-feira (9).

Agora, o governo vai correr atrás do prejuízo para tentar barrar na Câmara dos Deputados esse e outro projeto, também aprovado anteontem, que extingue o chamado fator previdenciário. O fator faz parte da fórmula de cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição e, na prática, estimula o adiamento dos pedidos, dependendo da idade do trabalhador. Mesmo que o governo seja derrotado na Câmara, o presidente Lula ainda pode vetar as propostas. No entanto, isso terá um custo político alto, já que as medidas têm apelo popular e este é um ano de eleições.

A oposição já se mobiliza para constranger o governo: ontem, o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), foi à tribuna para pedir ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) que os projetos sejam votados nos meses de maio e junho. Em troca da aprovação das medidas, o DEM aceita votar as medidas provisórias que estão pendentes na pauta.