Rio (AE) – O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Anthony Garotinho (PMDB), defendeu ontem a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Congresso para investigar o caso do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz. “Essa é a minha opinião: deve haver a CPI, eu defendo uma CPI. Não podem pairar dúvidas sobre o homem que ocupa uma sala a poucos metros da sala do presidente da República”, disse, referindo-se ao chefe da Casa Civil, José Dirceu.

Diniz foi presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) durante a gestão de Garotinho como governador. O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio argumentou que, ao não permitir uma investigação conduzida pelos parlamentares, o governo compromete a imagem de Dirceu. “Se for feita uma operação abafa, o maior prejudicado será o próprio ministro José Dirceu”, declarou. “A CPI é um instrumento democrático, um instrumento da sociedade, do parlamento brasileiro para dirimir dúvidas e para colocar quem é culpado na cadeia e quem é inocente seguir a sua vida”, acrescentou.

Garotinho viajou à noite para Brasília, onde teria uma reunião com a bancada do PMDB fluminense na Câmara dos Deputados para “unificar a posição” do grupo. “Para o bem do próprio ministro José Dirceu, eu tenho uma reunião com a bancada de deputados federais do PMDB. Há uma parte expressiva da bancada que defende a CPI, há uma outra que está reticente. Então, nós precisamos unificar nossa posição”, disse.

Mesmo contrariando a posição oficial adotada pelo PMDB, ele disse não estar disposto a entrar em conflito com o partido, que integra a base governista e tem duas pastas no ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nós não queremos entrar em conflito com o nosso partido, que já se posicionou contra a CPI. Mas também achamos que, para colaborar com o debate político, é nosso dever expor o nosso posicionamento: impedir esta CPI será muito prejudicial para o próprio governo.” Garotinho negou a acusação do senador José Almeida Lima (PDT-SE), segundo o qual ele teria recebido um telefonema do chefe da Casa Civil, em 2003, que teria pedido o fim de uma investigação contra o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil.