Agência Senado
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Serraglio: "Meu objetivo
é não fugir da raia".

Brasília – O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) disse ontem que deve entregar até dia 26 à presidência da Câmara o relatório dos 18 deputados listados pela comissão como envolvidos no suposto esquema do "mensalão" e que podem perder os mandatos. Serraglio não decidiu, contudo, se fará o pedido formal de cassação. Ele afirmou que o procedimento do requerimento de nulidade dos mandatos ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa é feito pelo presidente da Câmara e que depois o processo tem de passar pelo plenário.

"Meu objetivo é não fugir da raia", disse, referindo-se à apresentação de provas contra os deputados passíveis de cassação. "É um corte na carne do Congresso Nacional, que será rígido para defender a instituição, mas também terá coerência", disse. Serraglio afirmou também que, dos 18 parlamentares enumerados, três apresentaram as defesas e que o prazo final para essa apresentação se encerra na terça-feira.

Sem citar nomes, o relator da CPI dos Correios afirmou que há provas consistentes para o enquadramento de alguns deputados e que considera inevitável o pedido de cassação deles porque se evidenciou o envolvimento nos escândalos.

Já o sub-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), disse que a CPI está trabalhando na análise de 38 contratos da estatal, e já encontrou diversas irregularidades. Ele disse que já foram apontados alguns indícios de irregularidades, como propostas ou orçamento de empresas inexistentes, superfaturamento, terceirização da atividade de criação, execução de serviços não previstos no contrato, notas fiscais "frias" e deficiência na fiscalização da execução de contratos.

No entanto, Fruet disse que algumas dificuldades foram encontradas na análise dos contratos. Uma delas é a grande quantidade de eventos de despesas e documentos correspondentes. Segundo ele, será muito difícil, dentro do prazo estabelecido, investigar todas as notas fiscais. Além disso, a comissão enfrenta outras dificuldades, como a falta de documentos, especialmente os que comprovam a realização de serviços e o fornecimento de bens e materiais e a desorganização dos documentos.

Para facilitar a análise dos dados, a CPMI está pedindo que os dados venham dos bancos e de empresas de telefonia dentro de um padrão. "Queremos trabalhar dentro de um layout já definido para ganhar tempo", disse Fruet.

Fruet também comentou as denúncias contra o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. O deputado classificou de "muito graves" as declarações do ex-secretário de Governo da prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Rogério Tadeu Buratti, no depoimento prestado ao Ministério Público (MP), em que fez acusações contra o ministro. "As denúncias chegaram ao ministro da Fazenda e é gravíssimo porque foi procedente de um ex-assessor de Palocci", afirmou.

Buratti disse que, no segundo mandato de prefeito da cidade, Palocci recebia, mensalmente, R$ 50 mil de empreiteiras que eram repassados para o secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT, Delúbio Soares. Fruet afirmou acreditar que as denúncias têm relevância porque atingem uma área que estava "blindada". Ele destacou ainda que fica comprovado, mais uma vez, que há uma "briga interna" no partido.

"É mais uma denúncia que vem de dentro do sistema, não partiu da oposição." Para Fruet, por se tratar de uma acusação "muito grande", no mínimo, o ex-secretário de Governo da prefeitura de Ribeirão Preto deveria ser ouvido pela CPI do Mensalão, pois se trata de alguém que trabalhou com o ministro da Fazenda.