Guarulhos 

– A Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT), do candidato a presidente Ciro Gomes, quer polarizar o debate de idéias de programa de governo com o candidato da Coligação Lula Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN), e se distanciar do confronto com o senador José Serra (PSDB-SP), segundo informou o presidente licenciado da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PTB), o Paulinho.

A idéia é consolidar a segunda posição de Ciro e, com isso, forçar a realização de um segundo turno na disputa entre o candidato do PPS e Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera ainda as pesquisas de opinião na disputa pelo Palácio do Planalto. “O Serra que fale com o Garotinho (Anthony Garotinho, candidato da Frente Brasil Esperança a presidente), com quem ele disputa o terceiro lugar nas pesquisas”, ironizou Paulinho. “Nós queremos discutir propostas com o Lula, que está em primeiro”, complementou o candidato a vice do ex-ministro Ciro Gomes.

Ele adotou moderação no discurso até mesmo em relação aos grampos telefônicos que teriam sido postos nos comitês políticos da Frente Trabalhista em São Paulo e Brasília e no edifício da Força Sindical, central que Paulinho presidiu até o meio deste ano, um dos principais apoios da campanha de Ciro. “Só sei de uma coisa sobre este caso: não fui eu quem grampeou os telefones”, disse o presidente licenciado da Força Sindical, em tom mais moderado do que o do deputado Emerson Kapaz (PPS-SP), que, ontem (8), acusou Serra de estar por trás das escutas.

“Essa coisa de grampo, da forma como está sendo feita, aponta para o Serra, essa é a forma do José Serra de agir”, disse Kapaz. A estratégia de confrontar Paulinho com Lula foi iniciada ontem, quando o candidato da Frente Trabalhista a vice-presidente foi ao reduto petista, o Grande ABC (SP), pedir votos em portas de fábricas.

Desafio

Ontem, num encontro com cerca de 70 empresários de Guarulhos, na Grande São Paulo, Paulinho lançou o desafio de comparar a proposta de governo petista de redução de jornada de trabalho de 44h semanais para 40h semanais com a da Frente Trabalhista, que ainda nem sequer foi definida, mas que ele afirma ter as diretrizes gerais estabelecidas. “Nossa proposta é de redução de 10% da jornada, de 44h para 40h semanais, com o Estado arcando com as perdas que os empresários tiverem com esta redução por meio de compensação em impostos”, relatou.

Negros criticam Ciro

Salvador

(AE) – A discussão entre o candidato da Frente Trabalhista à presidência da República, Ciro Gomes (PPS), com o estudante Rafael dos Santos, na última quarta-feira durante encontro na Universidade de Brasília (UnB), provocou a reação do movimento negro baiano. Militantes da entidade anti-racista Cooperativa Educacional Steve Biko, com sede em Salvador, consideraram que Ciro destratou o estudante e por essa razão decidiram promover dois atos para protestar contra a atitude do candidato que teria humilhado Rafael.

Na ocasião, após ser recebido com vaias por cerca de 500 estudantes da UnB, Ciro encerrou sua palestra proibindo o estudante de falar ao microfone para defender cotas para negros nas universidades. Para impedir Santos de falar, o candidato alegou que nenhum dos estudantes teve o direito de usar o microfone para fazer perguntas. “Só porque é um negro lindo é que tem de dar o microfone para ele? Isso é desrespeito às regras, é demagogia, é o que discrimina o negro só porque fica com peninha dele”, disse Ciro.

A entidade anti-racista pretendia realizar anteontem à noite uma manifestação pública na capital baiana apoiando o estudante da UnB e defender, como ele, a política de cotas para negros nas universidades públicas.

Força defende Paulinho

Fabiane Prohmann

A Força Sindical do Paraná promoveu ontem à tarde, no centro de Curitiba, uma manifestação em apoio a Paulo Pereira da Silva, vice de Ciro Gomes, candidato à presidência pela Frente Trabalhista, que está sendo acusado de desvio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A ação fez parte de um movimento nacional em apoio ao sindicalista, e ocorreu simultaneamente em outras capitais do País.

Cerca de quinhentas pessoas participaram do ato, entre dirigentes sindicais, trabalhadores e comunidade em geral. Hoje uma nova manifestação deverá acontecer em Londrina e Maringá. “Fizemos um ato de repúdio pelo que estão fazendo contra o Paulinho”, afirmou Clementino Tomaz Vieira, diretora da Força Sindical. O protesto serviu também como um apoio da entidade à candidatura de Ciro Gomes. “Não concordamos com a saída do vice em hipótese alguma. Quando o Ciro tinha apenas 2% das intenções de voto ninguém queria ser seu vice, agora todos querem”.

O presidente licenciado Sérgio Butka, afirmou que as acusações contra Paulinho são infundadas. “O Ministério do Trabalho já reconheceu que houve um erro na apuração das informações levantadas contra ele. O eleitor não pode ficar a mercê de denúncias vazias, de cunho meramente político”, disse.